Foi com o agravamento da crise econômica mundial de 2008-2009, que ficou conhecida como “Bolha Imobiliária dos Estados Unidos” e repercutiu negativamente em vários países, entre eles o Brasil, que as multipropriedades ganharam mais espaço no mercado de turismo. O sistema acabou se tornando, no mundo todo, uma alternativa para comercialização de empreendimentos destinados a moradia de lazer e que ficaram emperrados com a dificuldade de financiamento por parte dos bancos.

“Com a crise, muitos incorporadores recorreram à venda fracionada para ‘desencalhar’ os empreendimentos que já haviam sido lançados. A estratégia deu tão certo e o modelo foi tão bem aceito que se estabeleceu como vantajoso para quem compra e para quem vende, primeiro porque o cliente que deseja uma segunda propriedade para passar as férias adquire pelo preço da fração, e segundo porque o incorporador conseguia aumentar o valor geral de vendas (VGV) por meio da comercialização em frações”, explica João Paulo Mansano, diretor comercial da New Time, empresa especializada em vendas de fração imobiliária.

Diferente de mercados como EUA e da Europa, em que o setor propriedades fracionadas  já é consolidado, esse modelo de negócio, no Brasil é ainda, relativamente recente. Mas apesar disso, um estudo de 2017 feito por duas das principais empresas intercambiadoras de semanas férias compartilhadas no mundo, a RCI e a Interval, identificou 56 empreendimentos fracionais no Brasil. Deste total, 19 já foram inaugurados e 37 estavam em construção ou em lançamento na época da pesquisa.

Goiás, em especial a cidade de Caldas Novas, no sul do Estado, é referência neste modelo negócio, sendo a líder no segmento e recebendo mais da metade de todos os empreendimentos. O município tornou-se referência em empreendimentos comercializados de forma fracionada, justamente porque a cidade sofreu entre os anos de 2009 e 2010  uma desaceleração no mercado de vendas de residências para segunda propriedade.

Um estudo divulgado no ano passado pela Caio Calfat Real Estate Consulting, consultoria especializada no setor imobiliário e hoteleiro, comprova o interesse pela multipropriedade. A pesquisa apontou que só em 2016, em plena crise econômica, o mercado de multipropriedade somou 11 bilhões em lançamentos. Um crescimento quase cinco vezes maior do que o registrado no último levantamento, realizado em 2015 (R$ 2,3 bilhões).

Para executivos e especialistas nesse setor, as vantagens do sistema de multipropriedade vão além do aumento do valor geral de vendas do imóvel, para o incorporador, e da  diminuição do custo das viagens, para quem adquire uma conta imobiliária de um empreendimento turísticos ou para o lazer. Elencamos cinco motivos que fazem das frações imobiliárias, não só uma tendência mundial, mas um bom negócio, confira:

1.Divisão de despesas

Diferente de um imóvel convencional, em que o proprietário deve arcar com todas as despesas básicas, como energia, água, serviço de limpeza ou até decoração; na fração, os custos de manutenção são sempre divididos entre os demais donos.

2.Intercâmbio de férias

A maioria dos empreendimentos comercializados de forma fracionada ou no modelo de multipropriedade são associados a grandes programas de intercâmbios de férias. Isso possibilita que o proprietário de uma fração possa variar seus destinos e ter acesso a uma enorme rede de hotelaria de serviços turísticos espalhadas em mais de 100 países pelo mundo.

3.Sem preocupação com manutenção

As redes arcam com a vistoria e reparo do imóvel, já que um fundo retrofit (espécie de fundo de reserva) é criado para esse tipo de despesas, utilizando um rateio dividido entre os proprietários. Dessa forma, os donos não têm dor de cabeça quando é necessário chamar um encanador, eletricista ou qualquer outra manutenção estrutural. Até mesmo a troca de mobília e eletrônicos, desde que o estrago não tenha sido causado por mau uso, fica por conta da rede.

4.Um flat em um resort

Hard Rock Hotel, Rio Quente Resorts, Beach Park, SnowLand são alguns dos desejados resorts para passar férias no Brasil que utilizam o modelo de multipropriedade. Assim, o proprietário poderá desfrutar de toda a infraestrutura de um empreendimento turístico de alto padrão e por um preço muito menor, caso desejasse alugar os quartos para passar a mesma temporada de maneira convencional.

5.Um bem para ser passado de geração em geração

Do ponto de vista jurídico, a multipropriedade existe em sub matrículas, isto é, um mesmo imóvel dividido em frações tem inscrições diferentes e, assim, autonomia jurídica de cada dono. Dessa forma, quem compra uma fração imobiliária fica protegido juridicamente para repassá-la como herança para seus descendentes. O imóvel, assim, permanece com uma escritura própria.