Os aparelhos tecnológicos associados com a internet têm auxiliado na comunicação de grandes empresas para que os clientes estejam informados sobre novidades e promoções. Mas muitos se aproveitam dessa inovação para aplicar golpes e enganar. Um levantamento realizado pela associação SaferNet Brasil, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), mostrou que em 2018 as ocorrências aumentaram cerca de 110%, em relação a 2017. Foram 133.732 queixas registradas no total.

 

O Brasil tem 140 milhões de pessoas ativas nas redes sociais, esse número representa 66% da população, de acordo com um estudo realizado pela agência We Are Social. A pesquisa mostrou ainda que as redes favoritas são o Youtube, Facebook, Whatsapp e Instagram.

 

Direitos e deveres 

 

Os crimes na internet estão cada vez mais comuns, mas atualmente existem leis que resguardam os usuários e punem criminosos. O vice-presidente da Comissão de Direito Digital da OAB Goiás, Dyego Bezerra, detalhou alguns cuidados necessários nas redes sociais e o que pode ser considerado crime digital.

 

“Criar um perfil falso com intuito de se passar por alguém pode configurar o crime de falsidade ideológica. A pena é reclusão de um a cinco anos, podendo ter acréscimo caso seja agente público e tenha relação com o cargo que exerce”, esclareceu o advogado. 

 

Os principais objetivos para esse tipo de ação são: anonimato, denegrir a imagem de pessoa/empresas ou praticar crimes de estelionato.

 

Dicas

Não caia em armadilhas. Confira algumas orientações:

  • Os sites e redes sociais possuem ferramentas para denúncias. Ao ver algo errado, não deixe de relatar;
  • A internet é como se fosse uma rua pública. As pessoas devem estar atentas por onde andam para não serem vítimas de crimes;
  • É importante destacar que a internet não é uma terra sem leis. Pelo contrário, é possível sim identificar o autor através dos IP’s (impressão digital na internet) de computador e por outras ferramentas. O Código Penal e demais leis se aplicam ao que acontece no ambiente virtual;
  • Procure o canal oficial da empresa e observar nos sites um cadeado na barra de ferramenta que identificam ambiente seguro;
  • Não acredite em tudo que vê, desconfie e não compartilhe informações pessoais; 
  • Ative a verificação em duas etapas nos sites e aplicativos que possuem essa função, normalmente encontram-se nas configurações de segurança;
  • Em caso de um potencial crime, não apague as conversas dos aplicativos. Leve o aparelho ao cartório e faça uma Ata Notarial, documento que resguarda a prova em caso de perda;
  • Sendo vítima, procure um advogado e a delegacia especializada. Em Goiás foi criada a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC).

 

Perfis fakes

 

Um exemplo é o supermercado Bretas que recentemente teve 16 perfis falsos criados no Instagram por terceiros utilizando o nome da empresa. Estes divulgaram promoções e sorteios com vale-compras, um deles alcançou a marca de 30 mil seguidores. A atitude gerou uma preocupação aos gestores da empresa, que já tomaram as devidas providências judicialmente e nas plataformas digitais. Com a situação surgiu à necessidade de alertar para os cuidados nas redes sociais, já que a empresa e clientes se sentiram lesados.

 

Alguns detalhes fazem a diferença na hora de participar de promoções e sorteios nas redes sociais (Facebook e  Instagram). “Muitas empresas já conquistaram o selo de autenticidade. O pequeno detalhe azul que fica ao lado do nome do perfil é simples e pode colaborar para que golpes não sejam aplicados. O Bretas está sempre informando os clientes sobre promoções e ações em seus canais de comunicação”, explica Maria Emilia Fernandes, gerente de Marketing do Bretas.

 

Aproveitando o canal oficial no Instagram, o Bretas comunicou com seus clientes a existência dos perfis falsos e que não troca seguidores por vale compras, além disso, ressaltou a necessidade de verificação do selo de autenticidade da rede social.

 

A Associação Goiana dos Supermercados (Agos) têm observado a forte presença dos associados nas redes sociais. “Com esse tipo de crime que está cada vez mais comum programamos futuramente orientar sobre o uso das redes sociais e os possíveis danos aos sócios e clientes”, explicou o superintendente, João Bosco.

 

Esse tipo de golpe é utilizado para que as páginas ganhem seguidores rapidamente e sejam vendidas para outras pessoas ou até empresas. Mas, se os consumidores ou as empresas sentirem lesadas ou prejudicadas com um perfil fake devem procurar a Polícia Civil e abrir um boletim de ocorrência. Em Goiânia já existe a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC).