Deixamos o Rio Quente Resorts pouco após as 13h, depois de visitar o Hot Park e almoçar novamente no restaurante Pequi. De lá seguiríamos para Araxá, MG, mas queríamos conhecer a pequena cidade de Três Ranchos, no extremo sul do estado de Goiás, para visitar e filmar a represa em torno da qual todo o turismo daquela região acontece.

Laio Andrade

Três Ranchos não é ponto de passagem. A partir do Rio Quente são 170 km de estrada e para chegar lá você precisa fazer um desvio de rota de 30 km a partir da BR 050 em Catalão (GO) pegando a GO 330, que termina justamente na pequena cidade. Por outro lado, pela beleza do lago em dias de cheia (infelizmente pegamos o lago em época de pouca chuva e com nível baixíssimo, mas as fotos que vimos dão ideia do que o turista pode esperar), por ser um trecho percorrido em 15 a 20 minutinhos e pela tranqüilidade do local, achamos que vale a pena o desvio – seja para almoçar ou fazer um lanche, seja como destino de um fim de semana para quem mora na região.

Max Moraes

 

Araxá, cidade das termas e de Dona Beja

Igreja de São Sebastião em Araxá, datada de 1804

De lá seguimos para Araxá. A estrada inclui um trecho com pedágios – e, por conseqüência, asfalto bem conservado – na BR 050 e outro trecho extremamente ruim após Uberlândia até à cidade de Dona Beja (veja nota ao pé desta reportagem sobre sua história). Como chegaríamos à noite e ficaríamos apenas até o outro dia optamos por uma pousada próxima ao centro histórico e às principais igrejas da cidade, especialmente a Igreja Matriz de São Domingos e seus mais de 1000 metros quadrados de pinturas, e a Igreja de São Sebastião, datada de 1804 e que abriga um museu de arte sacra em sua sacristia.

Torre da Igreja Matriz de São Domingos em Araxá

A pousada em si, que leva o nome da cidade – Pousada Araxá – é bonitinha e aconchegante. Os melhores quartos da casa são arrumadinhos, bem decorados e espaçosos, mas não chegam a ser opulentos; têm frigobar, Smart TV, excelentes chuveiros, uma varandinha privada e tomadas bem distribuídas para você ligar ou carregar todos os seus equipamentos. A pousada tem wi-fi com boa recepção nos quartos mas não no refeitório – alvo, aliás, de nossa principal crítica.

Há avisos de cumprimento às regras de higienização relativas à pandemia em vários ambientes mas não foi isso que vimos. A recepcionista e sua auxiliar várias vezes conversavam em nossa frente sem utilizar máscaras – nós, sempre as usando e mantendo distância. Foi no refeitório, porém, que percebemos o desleixo maior: talheres para uso geral sem embalagens individuais, apenas acomodados num recipiente único; copos, jarras e demais utensílios de contato sem qualquer proteção; não havia álcool em gel ou luvas para os hóspedes se servirem; as mesas, por sua vez, estavam próximas como se não houvesse pandemia. Quanto ao menu, pouca variedade, comida “passada” e (ainda que seja algo absolutamente pessoal) pouco sabor no que parecia fresco.

Max Moraes conhecendo o hall de entrada das Termas de Araxá

A principal atração da cidade é o Grande Hotel e Termas de Araxá (foto de capa da reportagem) cuja administração hoje é feita pelo Grupo Tauá. Nunca estivemos lá e ficamos impressionados com as dimensões da construção, coisa que remete aos grandes castelos da Europa – não no estilo, claro: as paredes externas com acabamento simples constrastam com a arquitetura repleta de colunas, capitéis e arcos neo-clássicos. Mesmo assim, do térreo ao sótão da fachada principal são 9 pisos e cerca de 27,5 metros de altura, coisa grandiosa para a época em que foi construído: o hotel teve as obras iniciadas em 1938 e a inauguração ocorreu em 1944. O projeto do Grande Hotel é do arquiteto Luiz Signorelli e todo o paisagismo foi criado por Burle Marx.

Laio Andrade admirando o paisagismo do Grande Hotel criado por Burle Marx

O Grande Hotel é ligado às Termas de Araxá por uma galeria suspensa decorada com afrescos de paisagens e pontos turísticos do estado de Minas Gerais. Na verdade, “Termas de Araxá” é o nome dado a todo o complexo de águas termais e medicinais da cidade, o que constitui seu principal atrativo turístico. A inauguração se deu também em 1944 e o local é famoso pelos banhos medicinais e pelo tratamento de spa oferecido a quem freqüenta. A pandemia, porém, limitou tanto o acesso quanto a disponibilidade de banhos, massagens e tratamentos, que precisam ser agendados. Todo o complexo, aliás, limita a entrada e circulação apenas a hóspedes e corpo de colaboradores, que precisam se submeter aos critérios sanitários relacionados à prevenção da Covid-19.

Dona Beja, ou Ana Jacinta de São José, natural de Formiga (MG), chegou em Araxá em 1805 com sua mãe e seu avô, e fora raptada pelo ouvidor do Rei em 1815, vivendo como amante do mesmo por 2 anos e retornando em seguida para Araxá. Encontrando um ambiente hostil, com uma sociedade conservadora que não a via como vítima mas sim como uma mulher sedutora de comportamento duvidoso, Dona Beja decide investir a fortuna acumulada em Paracatu na construção da “Chácara do Jatobá”, um luxuoso bordel onde ela se deitava a cada noite com um homem diferente se este lhe pagasse bem, mas com a condição de poder decidir com quem dormir. Com isso Dona Beja se torna célebre, atraindo homens de várias regiões do país e até de fora. Mais sobre a história de Dona Beja pode ser conferido no Museu Histórico de Dona Beja, na Praça Coronel Adolpho no. 98, centro, Araxá (MG), aberto de segunda a sexta das 8 às 18h e podendo ser visitado em grupos de no máximo 3 pessoas em função da pandemia.

Esta reportagem teve apoio da Nissan do Brasil, que emprestou aos jornalistas um Nissan Versa V-Drive 1.6 Premium 2021 para a viagem