Crítica iConnect

Vendo o videoclipe do novo single do grupo, “Insana”, é fácil lembrar dos seus antigos sucessos. Ainda que não tenha tido o mesmo alcance midiático nem a mesma base de fãs do contemporâneo Rouge – formado, inclusive, a partir da mesma competição e na mesma época – o Br’Oz conquistou corações e ganhou seus fã-clubes. Merece reconhecimento por sua trajetória, ainda que tenha surgido como estratégia comercial muito mais que por mera difusão da arte. Quantos ótimos grupos não surgiram assim?

Por outro lado, um come back precisa ser muito, muito estudado. Boy bands dependem muito da imagem, elas se vendem a partir não só de talento, mas de beleza e atributos físicos. E quando falamos de talento abordamos não somente as vozes, premissa de qualquer boy band, mas também agilidade na dança. Isso, sem contar toda a produção, os figurinos, as locações, a cenografia… Tudo faz parte do pacote, precisa fazer.

No single “Insana” as vozes estão ótimas, não podemos negar. Mas é a única coisa que, infelizmente, podemos elogiar. A música é ok, não é nada que nunca tenhamos ouvido e faz uso de todos os clichês permissíveis. Mas a produção é pobre demais, chega a ser vergonhosa. O cenário se limita a uma sala de estúdio, com um set de luzes azuis dispostas de forma estática atrás dos (não mais tão) rapazes, que usam figurinos absolutamente comuns. A make é incapaz de disfarçar os sinais da idade dos cantores – afinal, não querem continuar sendo chamados de boy band? Por fim, a coreografia nos pareceu uma dancinha que qualquer tiktoker amador é capaz de reproduzir (e inúmeros fazem melhor), e no clipe ficou mal ensaiada. Não passa disso, do começo ao fim.

Gostaríamos de poder falar mais sobre o single ou o clipe, mas não há muito mais a dizer. Rick Bonadio, produtor da banda, parece desesperado ao tentar retornar ao mercado utilizando a mesma fórmula do Rouge, com o single “Dona da Minha Vida” de 2 anos atrás. Acontece que, no caso da girl band, tudo foi bem pensado: single, clipe, figurinos, locações, produção, luz, shows, tudo. E isso não é papo de hater que acha que meninas são melhores que meninos ou vice-versa; é que o trabalho delas ficou ótimo e o deles ficou ruim, simples assim.

Os fãs do grupo Br’Oz que nos perdoem, mas é preciso saber envelhecer. Ninguém disse que uma antiga boy band não pode retornar, mas é preciso bom senso.