O isolamento social, medida tomada para combater a propagação do coronavírus em quase todo mundo, coincide com uma data tradicional para os católicos, a quaresma. Nesse período, o aumento do consumo de peixe cresce consideravelmente em todo o país.
Os benefícios de consumir a carne do peixe são muitos, principalmente porque ela atua também no reforço do sistema imunológico. O nutrólogo Ribamar Cruz lembra que não há alimentação, suplementação ou remédio que possa conter a contaminação ou tratamento da covid-19, mas, a solução tem sido reforçar  as defesas do corpo.
“Os nutrientes importantes para o funcionamento desse sistema são a vitamina C, a vitamina D, o zinco e o selênio. Eles podem ser encontrados num conjunto de alimentos, como peixes e crustáceos, frutas regionais, como acerola, goiaba, caju, além de sementes oleaginosas, como as castanhas de caju ou do Pará”, explica o médico.
De acordo com o nutrólogo, o peixe, apesar de ainda pouco consumido no Brasil, em relação aos outros tipos de proteínas, como bovina e suína, possui um alto valor biológico e ao mesmo tempo é uma fonte pouco calórica de nutrientes importantes para a saúde.
“As gorduras do peixe podem melhorar o funcionamento do sistema cardiovascular, neurológico, além da produção hormonal. Vale destacar o ômega 3, tipo de lipídio presente no salmão, sardinha e anchova, entre outros peixes de águas frias e profundas, que são estudados por seu poder anti-inflamatório”.
A composição nutricional varia, e por isso Ribamar Cruz orienta a incluir diferentes espécies no cardápio. Mas, garante que no geral, é fácil encontrar nos pescados substâncias como ferro, zinco, cálcio, magnésio, selênio, fósforo, vitaminas do complexo B e C.
Em relação às características dos peixes de água doce ou salgada, o médico afirma que eles têm sensoriais diferentes. “O peixe de água doce tem um teor de gordura um pouco mais alto e possui um sabor terroso. Já o os pescados do mar são obviamente mais salgados e possuem a carne leve, mesmo que algumas espécies tenham a carne mais firme e gordurosa. Então, optar por qual dos dois tipos devem ser ingeridos é simplesmente uma questão de disponibilidade e gosto”, fala o nutrólogo ao ressaltar que ambos “são fontes de vitaminas e minerais que auxiliam na manutenção da saúde”.
Muitas pessoas podem ter dúvidas em relação à forma de preparar o peixe. Segundo Ribamar Cruz, para aproveitar melhor os nutrientes é importante não cozinhar a carne na água por muito tempo. “Uma opção é o vapor, grelha ou consumi-la crua. E quem não abre mão de um peixinho frito, deve ingeri-lo apenas em ocasiões especiais, porque a combinação de farinha para empanar e óleo não é bem-vinda para a saúde, por causa da alta quantidade de calorias e gorduras saturadas”, destaca o médico.
É importante também ter uma atenção especial na hora de comprar os peixes, porque a carne é sensível à contaminação. “Em relação aos frescos a dica é que os olhos estejam transparentes, salientes e brilhantes. Veja também se o corpo está com a pele úmida, intacta, sem manchas e bem aderida à carne. As guelras, quando frescas, são brilhantes, por isso desconfie de marcas cinzentas e tons opacos”, indica o nutrólogo.
Outro ponto a ser observador é o cheiro, que pode insinuar que a carne já não está boa para consumo. “Para escolher congelados, atente-se antes à data de validade e a de produção. Afinal, quanto mais fresco, melhor. Opte ainda pelas embalagens transparentes, que permitam analisar o produto. Se tiver cristais de gelo no interior, significa provavelmente que o produto descongelou e congelou de novo, o que compromete sua segurança”, conclui Ribamar Cruz.