A propagação da Covid-19 teve um grande impacto não somente nas UTIs dos hospitais brasileiros, mas também na quantidade de doações de sangue. O Hemocentro de Goiânia relata uma queda de 18% do estoque desde o início da disseminação do vírus em Goiás. Para reverter essa situação, algumas empresas têm se movimentado com campanhas para mobilizar e alertar a sociedade sobre a importância de se manter as doações.

Um exemplo é a campanha organizada pela MRV junto ao Hemocentro de Goiânia, que disponibilizará no próximo dia 15 de maio, das 8h às 17 horas, um ônibus para a coleta de sangue em frente ao prédio comercial em que fica localizado o escritório da empresa, no Setor Oeste. A intenção é mobilizar que pessoas de cerca de 50 empresas instaladas no prédio participem da campanha.

Segundo o diretor regional de obras da MRV, Raphael Paiva, a ação já estava prevista no calendário de ações promovidas pela construtora para este ano, mas as doações se tornaram ainda mais importantes diante do contexto da pandemia do coronavírus que atingiu o estado. “As doações sempre são necessárias, mas, nos últimos meses, houve uma queda no estoque das bolsas de sangue por causa da Covid-19. Isso foi mais uma motivação para fazer essa ação”, explica.

A necessidade de doação de sangue é ressaltada pela diretora-técnica da Hemorrede Pública de Goiás, Ana Cristina Novais. Ela informa que houve uma queda de 18% no estoque de bolsas de sangue desde o início da pandemia em março. “Tivemos um impacto claro nas coletas de sangue nos últimos dias e precisamos aumentar o volume de doações”, explica a diretora-técnica.

Para proteger os doadores, algumas medidas vão ser tomadas durante a coleta de sangue no ônibus disponibilizado pelo Hemocentro, como o agendamento de horários e restrições de entrada no veículo. “Com o horário marcado, conseguimos diminuir a aglomeração e dar mais comodidade para quem vai doar. Dentro do ônibus, entre os locais onde será coletado o sangue, também é respeitado o distanciamento entre as pessoas para reduzir ao máximo o contato entre os doadores”, explica Ana Cristina.

Paiva destaca que cerca de 60 pessoas serão atendidas durante o dia e a divulgação tem sido feita no prédio onde a MRV atua no Setor Oeste. O agendamento também está sob o controle da empresa. “Conversamos com a administração do prédio, que permitiu a permanência do ônibus no local durante o dia inteiro. O objetivo é que essa ação seja inspiração para outras boas ações durante esse período difícil que estamos passando”, explica o diretor de obras. As doações também estão abertas à sociedade em geral. Para agendar a doação, o voluntário deve entrar em contato previamente pelo whastapp 62 98259-6557.

Doação de sangue

Empresas que pretendem seguir o exemplo do departamento de medicina do trabalho da construtora devem solicitar o ônibus para coleta externa ao Hemocentro de Goiânia. “Basta entrar em contato pelo telefone 3201-4101 e organizar a coleta. O mínimo de doadores que solicitamos para atender a demanda e deslocar o veículo é de 60 pessoas”, explica Ana Cristina.

Para doar, o interessado deve ter entre 16 e 69 anos (desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos; menores de 18 anos devem ter autorização do responsável legal), pesar no mínimo 50 kg, ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas, estar bem alimentado e apresentar documento de identificação.

Também não pode ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem a doação e não ter feito tatuagem ou colocado piercing nos últimos 12 meses. Pessoas que se submeteram a procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos seis meses também não devem doar. O doador que teve gripe, resfriado ou febre deve aguardar sete dias dias após o desaparecimento dos sintomas para fazer a doação..

Ana Cristina ressalta que a colaboração da população durante a pandemia da Covid-19 é fundamental para a manutenção do estoque de sangue e abastecimento da Hemorrede Pública de Goiás. “Infelizmente, as doenças não desaparecem com a chegada de outras e as pessoas continuam precisando de doações. Por isso é importante que as pessoas que estão em boas condições de saúde continuem doando”, explica a diretora-técnica da Hemorrede.