O Dia Mundial sem Carro, celebrado no dia 22 de setembro, em cidades do mundo todo, lança luz à importância de se repensar a mobilidade urbana ao tirar o automóvel do protagonismo assumido no último século quando pensamos em deslocamento. A necessidade de adoção de meios saudáveis e menos poluentes de locomoção alçaram a bicicleta ao topo dos modais ideais para o melhor desenvolvimento das cidades, e da manutenção da saúde humana.

Goiânia tem dado importantes passos neste sentido, permitindo às pessoas vislumbrarem  a adoção da bicicleta como algo viável no seu cotidiano. Na última década, o investimento público na implantação de vias destinadas ao seu uso (ciclovias, ciclorrotas e ciclofaixas), somadoao recebimento de investimentos privados em programas de compartilhamento de bicicleta, criaram um cenário promissor neste sentido, apesar da série de desafios que ainda suscitam para a sua consolidação.

Segundo a Secretaria Municipal de Transporte de Goiânia (SMT) já foram implantadas na capital 80 quilômetros de vias apropriadas à bike, em suas três modalidades existentes. À época da disponibilização do primeiro serviço de bikes compartilhadas, em 2017, uma pesquisa realizada pelo grupo Serttel – responsável por operações de sistema de mobilidade sustentável – identificou que o uso de bicicletas compartilhadas em Goiânia superou em 50% os índices alcançados em cidades como Buenos Aires, Rio de Janeiro e São Paulo, com tradição no estímulo ao modal.

Estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) denominado Cidades Clicáveis identificou que há no Brasil 50 milhões de bicicletas em uso contra 41 milhões de carros. Ou seja, a bicicleta  já superou em 9 milhões o número de automóveis transitando pelas vias, e disputando espaços com os demais modais motorizados.

Tal resultado estimulou o Congresso Nacional a aprovar a Lei 13.724, no ano de 2018, que ficou conhecida como Plano Bicicleta Brasil, onde constam meios de fomento e investimento para que as cidades possam adaptar suas vias ao trânsito das bicicletas, com mais segurança.

Solução mercadológica

Sempre atento às tendências comportamentais, o mercado imobiliário busca traduzir em seus projetos os anseios observados em cada geração. Em se tratando do aumento do apelo pelo uso da bicicleta, seja para o trabalho ou mesmo para os momentos de lazer, os empreendimentos buscaram contemplar a presença do bicicletário como um meio de facilitar o acesso à bicicleta.

No entanto, algumas empresas foram além em suas propostas, como explica o arquiteto responsável pelos projetos da City Soluções Urbanas, Victor Tomé. Seus empreendimentos vem contemplando a presença do bicicletário como forma de reconhecimento deste importante modal.

Em seu próximo lançamento previsto para ainda para este segundo semestre, a City  resolveu ir além. Somada à presença do bicicletário, criou uma forma de guardar a bicicleta junto ao carro, solução essa batizada de BikeStay, permitindo com isso que quem a utiliza com mais frequência facilmente a tenha em mãos.

E para facilitar a sua manutenção, serão disponibilizadas as principais ferramentas e acessórios como bomba para encher os pneus, entre outras, que facilitam os pequenos ajustes que a bike pode demandar.”Optamos por atender a cada aspecto que envolve o uso da bike, por entender a sua importância para a saúde das pessoas. Então, redesenhamos todo o seu acesso buscando facilitar ao máximo a sua utilização”, explica o arquiteto.

A percepção de Victor Tomé sobre os benefícios do uso da bike para a saúde humana foi comprovada por recente pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), ao tentar identificar as vantagens do seu uso, tendo como foco a cidade de São Paulo. Tal estudo concluiu que a adesão da população paulista ao uso da bicicleta resultaria em uma economia de R$34 milhões ao ano ao Sistema Único de Saúde (SUS), visto que tal medida reduziria o número de internações causadas por complicações com diabetes, doenças circulatórias e cardíacas.