Mais de 6,3 milhões de brasileiros irão buscar uma vaga em cursos superiores por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 3 e 10 de novembro. Hoje, todas as universidades federais e grande parte das instituições privadas de ensino superior usam as notas do exame para a seleção dos seus alunos. É inegável que entre esses mais de 6 milhões de estudantes que farão o Enem o sentimento seja de grande entusiasmo pela chance de ingressar numa universidade, mas, ao mesmo tempo, também é de grande apreensão e nervosismo por não se ter certeza de estar fazendo a escolha certa do curso.

Além do fator econômico, sempre preponderante para que alguém consiga ou não realizar o sonho da educação superior, especialistas também apontam a falta de uma orientação adequada e planejamento dos jovens ao fazer tão importante escolha. Para a especialista em desenvolvimento humano, Karina Duarte, o processo de definição de qual curso de graduação seguir exige a construção de um maior autoconhecimento. “É muito comum durante essa fase da vida as pessoas optarem por fazer um teste vocacional, mas isso está longe de ser suficiente”, argumenta Karina.

Segundo ela, é necessário que o futuro universitário não ceda tanto às pressões do tempo e da família, e encontre formas de investigar a si próprio, refletir sobre suas habilidades, limitações as projeções de vida que se tem. Tendo esse autoconhecimento, o próximo passo é conhecer, o melhor possível, as opções de profissão que se encaixam ao seu perfil. “O primeiro passo é se conhecer e se perguntar qual tipo de trabalho tem a ver com você, com seus valores e que gera mais satisfação pessoal. Encontrando a área que mais nos identificamos, é importante também conhecer as opções de carreira que temos, ter contato com quem trabalha na área para saber sobre o mercado, as dificuldades no começo, pesquisar sobre o curso”, aconselha Karina.

Esses passos sugeridos pela consultora foram seguidos pelo estudante Victor Wanderley, 19 anos, que avaliou alguns cursos antes de optar pela Medicina. “É uma das carreiras mais promissoras que existem. Meus pais me deram algumas dicas antes, mas vi na Medicina uma forma de satisfazer minhas ambições e ajudar mais de perto as pessoas”, diz o jovem que faz curso pré-vestibular há dois anos.

Para seu plano de estudos Victor Wanderley, considerou as características de cada vestibular que pretende disputar, de modo que uma atenção especial fosse dada para as matérias que sentia mais dificuldades, que segundo ele podem fazer a diferença na concorrida seleção para o curso de Medicina. “Também é importante revisar e fazer muitos exercícios, já que absorvemos muita informação durante os estudos”, diz o estudante que estuda, em média, 11 horas por dia. “Mas também tenho momentos de descanso aos finais de semana para recuperar as forças. O domingo, por exemplo, sempre tiro para repousar”, explica.

Escolha consciente

De acordo com o Censo da Educação Superior no Brasil, feito em 2017 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), entre 2010 e 2015, 56% dos estudantes que ingressaram numa universidade ou faculdade acabaram desistindo no meio do caminho ou trocaram de curso no decorrer da graduação. Ou seja, nesse mesmo período, quase que 1,4 milhão de alunos dessa modalidade de ensino passaram por alguma situação de instabilidade na vida universitária, desistiu, trancou a matrícula ou mudou de curso.

Conforme Karina Duarte, além do autoconhecimento para se fazer uma escolha mais assertiva de um curso que se enquadre melhor com suas habilidades e personalidade, conhecer e compreender o mercado da profissão que se está escolhendo é também um passo fundamental para que o estudante tome uma decisão de forma mais segura neste momento tão importante. “Entender e ter a devida noção das dificuldades no processo seletivo para o curso, como saber seu grau de concorrência, quais instituições oferecem a melhor qualificação, conhecer o mercado da profissão, saber se você precisará fazer esse curso fora da sua cidade, ou seja, todas as dificuldades precisam ser levantadas, não para que se desista deste o daquele cursos, mas para que o jovem se prepare para as dificuldades que sabe que terá de encarar”, frisa a especialista em desenvolvimento humano.