O número de brasileiros que mantém o hábito de fumar caiu 38% no período de 13 anos. É o que aponta dados inéditos do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado pelo Ministério da Saúde. Em 2019, 9,8% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar, enquanto que, em 2006, ano da primeira edição da pesquisa, esse índice era de 15,6%. A queda reforça a tendência nacional já observada nos anos anteriores. O Vigitel é uma pesquisa telefônica realizada com maiores de 18 anos, nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, sobre diversos assuntos relacionados à saúde.

O Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, alerta sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo, principal causa de câncer de pulmão, responsável por mais de dois terços das mortes por essa doença no mundo. No Brasil, esse tipo de câncer é o segundo mais frequente. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram que 27.833 pessoas foram a óbito em 2017 devido a essa causa. A Organização Mundial da Saúde aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Mais de 7 milhões dessas mortes resultam do uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo.

O tabaco, segundo o médico oncologista clínico, Gabriel Felipe Santiago, fumado em qualquer uma de suas formas causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão. “Os produtos de tabaco que não produzem fumaça também estão associados ou constituem fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como para muitas patologias buco-dentais”, completa.

“O tabagismo constitui fator de risco para o desenvolvimento de cânceres de pulmão, de cabeça e pescoço, de esôfago, de bexiga, entre outros”, enumera o médico. O tabaco é responsável por pelo menos 30% de todas as mortes derivadas do câncer. Sendo 87% em homens e 70% em mulheres. Fumantes, sejam homens ou mulheres, são 25 vezes mais propensos a desenvolver câncer de pulmão, do que aqueles que nunca fumaram.

No estágio inicial, o câncer de pulmão não apresenta sintoma. “Mas nos quadros avançados aparecem tosse, falta de ar, chiado no peito, presença de sangue no escarro, perda de peso e apetite, falta de ar, dor no peito”, alerta Gabriel. O tratamento da doença varia muito de acordo com estágio da doença. “Por essa razão, um médico deve ser consultado com frequência para avaliação e exames de rotina”, afirma.

Tabaco e Covid-19

O tabagismo é fator de risco para a Covid-19. O fumante, caso leve as mãos não higienizadas à boca para fumar, pode contrair o vírus. “Devido a um possível comprometimento da capacidade pulmonar, uma vez que os tabagistas têm seu sistema respiratório prejudicado pelo fumo, o fumante possui mais chances de desenvolver sintomas graves da doença, ou seja, se infectados pelo coronavírus, podem ter sua saúde ainda mais ameaçada”, explica Gabriel. Portanto, parar de fumar pode reduzir risco de desenvolver a forma mais severa da Covid-19.