Mesmo diante da pandemia da Covid-19 o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está com a data mantida para os dias 1 e 8 de novembro de 2020. Com a aproximação da data para o início das inscrições, agendada para 11 de maio, e o cronograma mantido, os estudantes preocupados em como se manter produtivos e preparados para as provas, mesmo sem coatar com aulas presenciais, que fazem toda a diferença.

Para a psicóloga Thais Brenner, um dos grandes desafios é a adaptação. A profissional conta que nem todos os estudantes conseguem se adaptar às aulas online. Alguns tem maior facilidade porque já gostavam de ficar em casa e tem prática com estudos pela internet, mas a grande maioria dos estudantes gostam mesmo da sala de aula, da interação com o professor a chance de tirar dúvidas.

E essa mudança repentina pode ser prejudicial para o desenvolvimento dos estudantes. uma pratica online, já tinha gosto por essa forma de estudo. “Estudar na internet demanda extrema disciplina pra dar certo. Se você não foi treinado para isso é praticamente impossível conseguir criar uma rotina para rotina para estudar online, diferente do concurseiro que se treinou pra isso”, explica.

Segundo a análise da psicóloga, ninguém estava preparado para um momento como o que estamos passando, muito menos para ficar enclausurado em casa. “O lar da gente remete à descanso e à vontade de deitar na cama, no sofá, ver filme e mexer no cel. Esses estudantes, além de ter o desafio do Enem pela frente, eles ainda precisam enfrentar o desafio de desenvolver uma nova rotina de estudo”, conta Thais.

É o que a estudante Laysa Rabelo (19), está tentando fazer. Ela faz cursinho pré-vestibular há 2 anos para realizar o sonho de entrar para a faculdade de medicina. Para ela, estar no ambiente escolar é muito mais favorável para manter o foco e o rendimento, consequentemente, é melhor. Mas, infelizmente a pandemia do novo coronavírus fez com que todos tivessem que mudar sua rotina. A estudante conta que a escola onde estuda está tomando todas as providências e tentando manter a rotina de estudos da mesma forma, mesmo que online.

“Eu sempre uso tampões ou fones de ouvido na hora do estudo pra evitar que algum barulho me atrapalhe porque isso pode tirar nossa atenção muito fácil e, como não é um ambiente exclusivo de estudos, temos que tentar manter silêncio pra conseguir focar melhor”, conta a estudante.

Há cerca de um mês o Lucas Rezende (19) passa os dias no quarto, estudando. Ele está no segundo ano do cursinho pré-vestibular para conseguir cursas medicina. Ele está entre os milhares de estudantes que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e não esconde estar acostumado com o ambiente escolar, por isso, estudar em casa é um desafio diário.

“O desempenho em casa cai um pouco, já que estamos nos adequando a um novo método de estudo. A casa da gente é um local de conforto, de descanso… Um local onde tudo está a favor disso. Estando em casa tudo pede para procrastinar, a internet, a família… Aí é fácil cair a produtividade e perder muito tempo, que não aconteceria se estivéssemos na escola”, conta Lucas.

Se para os alunos que estudam na rede privada já é complicado, para os estudantes da rede pública de ensino a situação se agrava. De acordo com o Professor e mestre Fábio Moreira de Araújo, as escolas que tinham maiores recursos financeiros e já até trabalhavam com essa forma de ensino, tomaram a frente e começaram a ministrar aulas a distância, enquanto as instituições públicas tiveram que se reinventar com plataformas de ensino para atingir os alunos.

“A grande questão é que muitos alunos da rede pública só têm acesso à internet quando conseguem rotear da escola ou de alguns colegas. Muitos estão tendo dificuldade de se alimentar, imagina ter acesso à internet”, explica. Assim por mais que as aulas a distância estejam sendo construídas na rede pública de ensino de modo precário ou não, é grande o número de estudantes que não têm a internet para acompanhar as aulas ministradas, o que gera uma angústia, revolta e desistência.

Enfrentando o medo

A psicóloga Thais Brenner afirma que, para conseguir enfrentar esse momento de duplo desafio o principal é ter consciência de que não há ninguém culpado por tudo que estamos vivendo, muito mesmo pela alteração dos planos de estudo. Mesmo que todos nós estivéssemos preparados para encarar um ano com uma pandemia como esta, ainda assim tudo seria uma novidade. “É preciso pensar que isso não está acontecendo apenas com você. Todos estão sofrendo de forma diferente e passando por alguma dificuldade. Mas, acima de tudo, é preciso lembrar que tudo isso ainda vai acabar. Se o aluno precisou se adaptar à nova realidade, quando tudo acabar será o momento de uma nova readaptação”, diz a profissional.

Cronograma Enem

Pela primeira vez, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 será aplicado, em duas versões diferentes. A prova regular acontecerá nos dias 1º e 8 de novembro, já a versão digital, uma novidade anunciada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), está marcada para os dias 11 e 18 de outubro. Todos os exames serão presenciais e serão realizados aos domingos.

O ano marca a transição do Enem do papel para o computador. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a mudança inicia-se com um projeto-piloto previsto, inicialmente, para 50 mil candidatos de 15 capitais brasileiras. Porém, após a publicação do edital do Enem Digital 2020, no dia 31 de março, foram aplicadas algumas mudanças para que a prova pudesse atender um número maior de participantes.

Datas do Enem 2020

Inscrições: 11 a 22 de maio

Provas digitais: 11 e 18 de outubro de 2020

Provas tradicionais: 1º e 8 de novembro de 2020

Resultado: janeiro de 2021