Após vencer a última edição do Big Brother Brasil como um dos maiores fenômenos de popularidade já construídos pelo programa, a, agora ex-BBB, Juliette Freire recusou assinar um contrato com a Rede Globo. Embora sua escolha tenha causado estranhamento, ela não é a única a esnobar um lugar fixo na emissora.

O motivo desse novo comportamento de algumas celebridades é simples: “mais do que nunca, existe exposição, vida e ganhos milionários fora da TV, independente de qual seja a mídia”, explica William Ribeiro, Educador Financeiro de CEO da plataforma “Dinheiro com Você”.

“Para entendermos um pouco o que se passa na cabeça das celebridades, podemos usar como exemplo um dos que começaram esse movimento, o ex-diretor de esportes da Globo, João Pedro Paes Leme. Ao contrário do que era comum no passado, ele não deixou a emissora para atender uma proposta em outra TV, ele largou uma das posições mais desejadas no canal para se tornar sócio do youtuber e influenciador Felipe Neto”.

Ribeiro ainda acrescenta. “Ao retomar essa história, o que eu também quero destacar é que o problema não é a Rede Globo, e sim o meio ‘televisão’ que tende a perder prestígio e engajamento. Em última instância, tudo isso implica na redução dos lucros, não apenas na internet, mas na vida”.

Juliette se tornou mais relevante que o próprio BBB

A grande vencedora da última edição do BBB acumula mais de 29 milhões de seguidores só no Instagram (até o fechamento desse texto). Isso significa que ela tem mais do dobro de seguidores que o programa, com pouco mais de 14 milhões. Mas por que uma marca iria atrás de intermediários se ela pode ir direto na fonte, fechando com Juliette?

“De acordo com as práticas do mercado, um influenciador com o alcance de Juliette pode cobrar facilmente mais de R$ 100 mil reais por um post patrocinado. Será que para ela realmente vale a pena estar presa à Globo?”, o educador financeiro faz a provocação.

“Claro que todo esse poder de atrair anunciantes e dinheiro não depende apenas do número de seguidores, mas, também, do poder de ser relevante e, ao mesmo tempo, engajar o seu público e influenciá-lo a consumir um produto. Isso significa que, como uma empresa, sua maior commodity não é a fama, mas seu poder de engajamento”, explica.

E destaca que “essa relevância e poder, Juliette conquistou com a exposição do BBB e, claro, com sua personalidade, caráter e posicionamentos coerentes. Contudo, muita gente se pergunta se essa fama será duradoura. Certamente a essa altura ela já está muito bem assessorada para garantir o futuro da carreira e, talvez, não assinar com a Globo seja parte dessa estratégia”.

Na história do programa foram diversos fenômenos de popularidade e, nem todos, conseguiram construir uma carreira relevante.

“Temos exemplos como Sabrina Sato e Grazi Massafera que conseguiram se manter na mídia com grande sucesso. Mas também há exemplos fora da TV, como Kleber Bambam que, na tentativa de se manter relevante, navega por outras áreas, conseguindo uma vida confortável (atualmente diz ser investidor de criptomoedas). Alguns, acabam não se encontrando em área nenhuma, já que também não é raro aparecerem histórias de falência entre ex-participantes, inclusive vencedores que acabaram perdendo o dinheiro”.

Essas experiências podem ser tomadas como uma lição para qualquer profissão. “O que serve para nós, em nossas áreas de atuação, é entender que é importante planejar a carreira, o futuro. Sempre será melhor investir no nosso autoconhecimento para fazer melhores escolhas na vida, no trabalho ou nos investimentos. Tudo para gerar mais valor, hoje e sempre”.