Todos os dias, Goiânia registra ao menos quatro casos de intoxicação por uso incorreto de medicamentos. É o que revela a média anual das informações sintetizadas no Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas). Os dados mais recentes, que são de 2013, mostram que naquele ano a capital contabilizou 1.629 casos do tipo. No Centro-Oeste, só Brasília (1.914 ocorrências) supera Goiânia em número de intoxicações por medicamentos.

O Ministério da Saúde diz que, considerando os medicamentos do tipo benzodiazepínicos, antigripais, antidepressivos e anti-inflamatórios (que mais causam intoxicações no Brasil), 40% das pessoas que se intoxicam com essas drogas fazem isso por acidente. E grande parte desses casos acontece porque os usuários não sabem interpretar as informações nas embalagens dos produtos.

“Cada um dos elementos visuais que compõem a embalagem do medicamento presta informações vitais ao usuário. Por isso, é importante que o consumidor dedique alguns minutos para entender o que ele está ingerindo, para qual finalidade, a dosagem indicada conforme seu perfil e possíveis substâncias prejudiciais ao seu organismo. E é preciso, claro, respeitar o que havia sido prescrito pelo médico, se for esse o caso”, indica o presidente do Sincofarma-GO (Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Goiás), João Aguiar Neto, que é farmacêutico.

Entenda o significado das informações nas embalagens dos medicamentos.

Nome – Indica o nome comercial do medicamento (se for produto de marca) ou medicamento genérico (se for esse o caso), apontando o nome da substância principal. Nos fitoterápicos, o que deve aparecer é o nome botânico da planta. O nome também precisa deve estar impresso em braille.

Identificação do fabricante – Cita o nome, endereço, CNPJ do fabricante e o local de fabricação do produto. Esses dados permitem procurar a empresa em caso de dúvidas ou problemas.

Dados individuais – Número do lote – para melhor controle em caso de lotes defeituosos ou contaminações – data de fabricação e data de validade. Os medicamentos jamais devem ser usados se estiverem vencidos.

Número de registro – É o registro do medicamento na Anvisa. São 13 dígitos.

Informações farmacêuticas – Deve informar claramente a composição do medicamento, a quantidade e a via de administração indicada. Essas informações mais detalhadas constam na bula do medicamento, que deve ser lida com atenção antes do uso.

Nome do farmacêutico responsável – Todo medicamento precisa ter um farmacêutico responsável, e na embalagem deve aparecer o número de inscrição do profissional no Conselho Regional de Farmácia.

Telefone do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) – É fundamental ter o telefone do SAC na embalagem, para que o consumidor tire dúvidas, opine, reclame ou sugira de forma fácil e simples.

Tarja do medicamento – Os medicamentos são classificados conforme o grau de risco que podem oferecer à saúde, e essa classificação se dá através de tarjas identificáveis logo à primeira vista nas embalagens. As tarjas seguem esse padrão: vermelha, para medicamentos com contraindicações e que podem provocar efeitos colaterais graves; ou preta, para medicamentos com ação sedativa ou que ativam o sistema nervoso central, podendo causar dependência. A tarja amarela indica medicamentos genéricos e há aqueles sem tarja, conhecidos como MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição), que, se usados corretamente, têm poucos efeitos colaterais ou contraindicações.

Lacre de Segurança – A embalagem precisa estar lacrada. Se houver alguma violação, não adquira o medicamento e informe ao farmacêutico.

Tinta reativa ou selo de rastreabilidade – Ao raspar a tinta com metal, a embalagem precisa mostrar o selo de qualidade e o laboratório responsável.