Considerada uma das principais complicadoras do quadro de infecção da Covid-19, provocada pelo novo coronavírus, a hipertensão, mais conhecida como “pressão alta”, matou 34 pessoas por hora no ano passado, de acordo com o Ministério da Saúde (MS). Embora seja de fácil diagnóstico, metade das pessoas que têm a doença não sabem disso. Ainda segundo o órgão, 35% da população sofre da comorbidade. Todo ano, o Dia Mundial da Hipertensão, 17 de maio, serve para lembrar dessa que é também considerada uma epidemia.

O cardiologista Vinícius Marques Rodrigues (CRMGO 10224), explica que, por ser uma doença silenciosa, ainda existem muitos que não receberam o diagnóstico. “Alguns só descobrem a doença quando passam mal ou fazem exames preventivos”, explica o médico, que atende em clínica especializada no Órion Complex, em Goiânia.

Um homem hipertenso e diabético de 62 anos foi a primeira morte confirmada no Brasil por Covid-19. Estudo recém-publicado no British Medical Journal (BMJ) apontou que 48% das pessoas vítimas do novo coronavírus tinham pressão alta. Pesquisa avaliou 113 pessoas que morreram na cidade de Wuhan, na China. Os números reforçam a condição de grupo de risco dos hipertensos.

Embora algumas sociedade médicas internacionais levantaram a hipótese sobre a relação entre os efeitos adversos do uso de medicamentos por paciente hipertensos e o aumento do risco de infecção e a gravidade da doença pelo coronavírus, a Sociedade Brasileira de Hipertensão não recomenda a suspensão dos medicamentos. O argumento é a falta de evidências científicas que relacionem a ação das medicações com a infecção que causa a atual pandemia.

Para Dr. Vinícius, ao controlar a pressão, o indivíduo diminui os riscos das complicações em casos positivos para a Covid-19, por isso a importância de não interromper os tratamentos. “Geralmente esses pacientes têm outras doenças associadas, como diabetes e problemas cardíacos, o que agrava ainda mais os casos”, pontua.

O sal é o principal vilão da hipertensão. Segundo levantamento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o brasileiro ingere 9,34 gramas de sal por dia, quase o dobro das 5 gramas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Baixar a ingestão de sal é o primeiro passo para evitar e controlar a doença”. Vinícius destaca que comer mais frutas e verduras, manter o peso adequado, fazer atividade física regularmente, dormir bem, evitar alimentos gordurosos e fazer exames de saúde rotineiros são outras atitudes que evitam a hipertensão e várias doenças.

Confira alguns sintomas da hipertensão:

  • Dor de cabeça, principalmente na nuca;
  • Dor no peito;
  • Falta de ar;
  • Palpitações;
  • Zumbido no ouvido;
  • Tontura.