Já imaginou adquirir um imóvel em Caldas Novas e passar férias em Fortaleza? Ou quem sabe comprar um apartamento em Gramado e passar férias em Orlando? Como assim? Assim mesmo. C com  a aquisição de um um imóvel em multipropriedade é possível que, ao invés de passar férias no imóvel adquirido, o proprietário faça a troca por meio de duas empresas especializadas no segmento, as intercambiadoras.

Este é um dos motivos que faz com que a aquisição de um imóvel em multipropriedade tem se consolidado nos últimos anos no Brasil (usar dado) e seja vista por profissionais do mercado imobiliário como excelente para imóveis de férias. A explicação é bem simples: são imóveis usados em apenas algumas semanas do ano e, que, durante todo o ano, geram custos de IPTU, condomìnio, manutenção, entre outros.

De acordo com João Paulo Mansano, gestor em turismo e diretor comercial da New Time, maior comercializadora de frações imobiliárias do Brasil, além de adquirir um imóvel de alto padrão, por um preço bem mais em conta e sem ter as dores de cabeça com a administração e manutenção, o sistema de multipropriedade possibilita o acesso a uma enorme variedade de opções de hospedagens em milhares destinos pelo mundo.

Para o diretor da New Time, o sistema de multipropriedade assegura a liberdade de opção do titular da fração imobiliária. “Com o passar do tempo, é natural que as famílias ou os proprietários que adquiriram uma fração numa determinada cidade se cansem deste destino e queiram, é claro, conhecer outros. Por meio da associação às redes de intercâmbio de férias, como RCI e Interval, é possível ao dono da fração trocar o tempo de uso a que tem direito pela estadia em um empreendimento também de alto padrão e em outro destino de qualquer parte do Brasil ou do mundo”, explica o especialista, que acrescenta: “O dono de uma fração no Brasil, por exemplo, pode trocar as semanas a que tem direito em um resort brasileiro por hospedagem em propriedades de países como México, Itália, Canadá, Belize, África do Sul, Espanha, Portugal ou em outros estados brasileiros”.

Referência

O gestor destaca ainda que o mercado de imóveis fracionados cresceu graças à crise. “Com as dificuldades econômicas, muitos incorporadores recorreram à venda fracionada como uma forma de financiamento de seus empreendimentos, que se encontravam, muitas vezes, parados por causa da crise. A estratégia deu certo e o modelo foi tão bem aceito que se estabeleceu como vantajoso para quem compra e para quem vende, pois o cliente que deseja uma segunda propriedade para passar as férias adquire um imóvel de alto padrão pelo preço da fração, e o incorporador consegue aumentar o valor geral de vendas (VGV), por meio da comercialização em frações”, explica João Paulo Mansano.

Conforme o especialista, a cidade de Caldas Novas, conhecido pólo turístico no sul de Goiás, é referência nacional nesse modelo de negócio e responde por mais da metade de todos os empreendimentos do tipo no Brasil . Essa vocação do município para imóveis fracionados surgiu justamente porque a cidade sofreu, entre os anos de 2009 e 2010, uma desaceleração no mercado de vendas de residências para lazer, então o sistema de multipropriedade alavancou muitos projetos e consequentemente incrementou o turismo na cidade.

Crescimento

A  multipropriedade constitui uma visão moderna de aquisição de propriedade imóvel e que está conquistando o brasileiro. O conceito foi criado nos Estados Unidos, na década de 60, e tem como característica principal a propriedade de mais de um dono e a definição de tempo para utilização, conforme a fração adquirida. Ou seja, quanto maior a fração, maior o tempo de uso.

De acordo com pesquisa realizada pela Caio Calfat Estate Consulting, consultoria especializada no setor imobiliário e hoteleiro do Brasil, a multipropriedade cresceu em dois anos e tem se consolidado como um dos motores de crescimento do setor imobiliário. O levantamento, realizado em 2017, destaca que os empreendimentos fracionados em todo País tinham um  Valor Geral de Vendas (VGV) em lançamento, construção e em operação de R$ 11 bilhões. Já o estudo de 2018, registrou um crescimento de R$ 4 bilhões no VGV nacional dos imóveis compartilhados.