Quem gosta de viajar longas distâncias de carro sabe o quanto pode ser bom. O tempo é bem maior e nem sempre você economiza – combustível está caro e lanches na estrada podem custar o olho da cara. Mas poder parar em qualquer lugar, fazer fotos a qualquer hora, ouvir qualquer música em qualquer volume, escolher entre vento ou ar condicionado, apreciar o pôr-do-sol ou até tornar a viagem mais lúdica deitando na capota do carro para observar o céu limpo à noite no meio de uma estrada super escura e longe das luzes de qualquer cidade, tudo isso não tem preço.

 

Acontece que nem sempre viajar sozinho é bom. Dirigir numa estrada bem conservada é ótimo, mas às vezes as retas sem fim e a falta de movimento tornam a coisa monótona, dão sono. A viagem pode se tornar até perigosa. Encontrar uma companhia ideal pra embarcar na jornada pode ser exatamente o que você precisa pra tornar tudo mais agradável, divertido, econômico e seguro. Esse tipo de roteiro, vale citar, é comum na Europa, onde a malha viária é muitíssimo mais bem conservada e sinalizada que no Brasil e há muito mais suporte para motoristas nas rodovias de lá, o que torna tudo mais seguro.

Max Moraes é goiano de nascimento e brasiliense de registro, mas mora em São Paulo há 14 anos. Laio Andrade é nascido e morador de Goiânia, mas já residiu em São Paulo e tem a maior cidade da América Latina como um de seus destinos turísticos preferidos. Ambos adoram viajar e conhecem a rota tradicional entre as duas cidades como as palmas de suas mãos. Ambos concordam plenamente numa coisa: esse caminho é longo e monótono. Ambos, então, toparam o desafio de encontrar uma rota alternativa mais interessante, com mais pontos de parada, novos cenários fotografáveis e mais potencial turístico para quem quer tornar a ida de Goiânia a São Paulo mais interessante.

 

Em vez de pegar o tradicional percurso BR 153, BR 365 e BR 050 nossos repórteres escolheram as cidades de Rio Quente (GO), destino ideal para famílias que querem relaxar nas águas quentes e se divertir no Hot Park; Três Ranchos (GO), para quem quer curtir a natureza e o belo cenário do Lago Azul; Araxá (MG), cidade de Dona Beja, das águas termais medicinais e onde fica um dos mais belos e imponentes hotéis do país, o Grande Hotel e Termas de Araxá, hoje administrado pelo Grupo Tauá; Franca (SP), para quem quer comprar calçados e artigos em couro; e finalmente, São Paulo (SP), com seu turismo cosmopolita e sua vida 24h.

Goiânia a Rio Quente

 

Saímos da capital de Goiás no meio da madrugada, após a cobertura de um evento. Surpreendeu o estado de conservação das rodovias que ligam Goiânia ao Rio Quente, tanto no trecho de pista duplicada (ainda sem praças de pedágio) quanto simples, com exceção do horrível (e, ainda bem, pequeno) trecho da GO 490 entre o trevo para a GO 139 e a entrada para o Rio Quente, na GO 507. É importante lembrar, porém, que o viajante de carro deve prestar bem atenção nas placas que o direcionam para o complexo Rio Quente Resorts, especialmente à noite.

Passado o transtorno, encontramos um atendente solitário na recepção do Hotel Turismo, mas que nos recebeu com extrema cortesia, dedicação e precisão de informações sobre os procedimentos referentes às normas de higienização e distanciamento, bem como sobre nossos quartos e estadia. Os carrinhos de transporte de malas, a propósito, são higienizados e levados pelos próprios hóspedes aos quartos, tudo para evitar o contato com outras mãos.

 

Resolvemos não dormir e fomos direto para o Parque das Fontes, onde ficam as nascentes do Rio Quente e as principais e mais conhecidas piscinas de água quente e cristalina do resort – antiga Pousada do Rio Quente – além dos poços do Governador e da Primeira Dama, com temperatura média de 37°C. Merecido relaxamento depois de um dia de trabalho e muitos quilômetros de estrada, com alguns drinks servidos no bar molhado – porque ninguém é de ferro.

Ficamos admirados com o zelo do corpo de colaboradores, todos devidamente paramentados com máscaras, protetores faciais e luvas todo o tempo. Além disso encontramos álcool em gel em inúmeros recipientes espalhados por todo o complexo e percebemos higienização constante de superfícies, toalhas embaladas individualmente, piscinas com necessidade de manutenção diária totalmente isoladas e as de água corrente funcionando em rodízio, suspensão do serviço de quarto e alteração na periodicidade da limpeza dos quartos para reduzir o contato, dentre outras medidas preventivas.

 

Cabe aqui uma crítica: todos os restaurantes funcionavam com horários marcados e capacidade reduzida, o que é ótimo. Mas no restaurante Pequi, situado no Hotel Turismo, com exceção dos pratos disponíveis no menu e preparados individualmente, todo o buffet nos pareceu pouco atraente, tanto de pratos salgados – pouca variedade e preparo descuidado – quando doces – visual atrativo que não combinava com o gosto insosso. Salvou-se, porém, o restaurante Da Mata, no Hotel Cristal, com menu mais amplo e comida saborosíssima.

Visitamos o Hot Park apenas em nossa última manhã no complexo. O Hot Park, um dos principais destinos do resort, fica fechado às quintas – e não nos avisaram. Meno male que praticamente todas as atrações do parque estavam abertas no dia seguinte e pudemos conferir tudo de perto. Aplaudimos as intenções do complexo ao sinalizar e orientar o público sobre regras de distanciamento, inclusive limitando a freqüência de pessoas em cada uma das atrações, desde o lago de águas quentes onde é permitido alugar caiaques até a famosa piscina de ondas. Destacamos também o viveiro onde há uma píton domesticada; a pedidos, pode-se fazer fotos com ela sobre os ombros. Nós fizemos. Ela é gelada e sente cócegas na barriga.

 

Do Rio Quente seguimos para Três Ranchos, no extremo sul do estado de Goiás. O que nós vimos você vê na segunda parte de nossa reportagem Brasil Conectado – Uma rota alternativa entre Goiânia e São Paulo.

Esta reportagem teve apoio da Nissan do Brasil, que emprestou aos jornalistas um Nissan Versa V-Drive 1.6 Premium 2021 para a viagem