Frank Herbert, autor de Duna, talvez não soubesse o impacto que sua obra prima teria até os dias de hoje. Considerado por muitos como um clássico da ficção científica, o calhamaço de quase 700 páginas traz uma história bastante interessante com diversas referências aos nossos problemas cotidianos. Mas como ele influenciará o filme Duna, de 2020, nova adaptação para as telonas?

Embora o livro, publicado há mais de 50 anos, tenha se mantido no cânone da literatura do gênero, sua história no cinema tem diversos conflitos interessantes. Para se ter noção da importância efetiva da obra de Herbert, ela, inclusive, foi uma das influências diretas de George Lucas na criação do universo de Star Wars.

(Reprodução) Editora Aleph/Reprodução

O divisor de águas da ficção científica

Ao longo de seis livros, Duna teve sua história — contada em cerca de 3 mil páginas, ao todo — desenvolvida de forma aprofundada, mostrando as inúmeras facetas dos personagens e dramas apresentados.

A narrativa segue um duelo político entre dinastias muito importantes. Porém, o membro de uma delas, chamado Paul Atreides, passa a ser a esperança para que a harmonia seja restaurada em um universo no qual a Terra já não existe mais.

De alguma forma, a obra acabou se tornando um marco na ficção científica, sendo um grande divisor de águas. Antes de seu lançamento e consagração, as obras do gênero eram divididas entre duas correntes.

A primeira delas, as narrativas pulp, tinham bastante liberdade criativa em termos de composição e se tornavam rápidos sucessos comerciais. A segunda, a também chamada Era de Ouro da Ficção Científica, é famosa por obras mais aprofundadas e que ainda fazem bastante sucesso. Autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Robert A. Heinlein se destacaram durante o período.

(Reprodução) Universal Studios/Reprodução

No entanto, com o lançamento do romance de Herbert nos anos 60, a literatura de ficção científica ganhou novos ares, conforme afirma Daniel Lameira, da editora Aleph, responsável pela publicação do livro aqui no Brasil.

Segundo ele, apesar de ter tido influência das duas correntes já conhecidas da época, o autor passou a empregar novos elementos em sua trama, além da fantasia. “Ele capturou a essência da época, influenciando diversas áreas artísticas, transcendendo o próprio gênero”, disse Lameira.

Como Duna foi retratado nos cinemas

Durante os anos 1970, o cineasta chileno Alejandro Jodorowsky iniciou um processo que, mais tarde, se mostraria bastante conflituoso: o de adaptar o livro para o cinema. Seria a primeira vez que o mundo veria a obra clássica transformada em filme, mas, infelizmente, nada saiu conforme o planejado e o financiamento para sua realização declinou.

Tudo isso é bastante triste, já que a adaptação certamente se tornaria lendária, pois contava com a participação de Orson Welles e Salvador Dalí, além de ter a trilha sonora da banda inglesa Pink Floyd.

Quem quiser conferir a especulação imagética do que teria sido Duna nas mãos de Jodorowsky pode assistir ao documentário, lançado em 2013, sobre o assunto.

(Reprodução) Warner Bros./Reprodução

Embora a tentativa de Jodorowsky não tenha sido bem sucedida, Duna foi adaptado para os cinemas em 1984, nas mãos de David Lynch. Apesar de ser um filme, considerado pelos fãs do livro, como muito frio e deplorável, Lynch conseguiu trazer para à tela uma trama delicada, embora faltasse um pouco de profundidade.

Em 2020, a versão do canadense Denis Villeneuve promete ser tudo aquilo que os fãs mais desejavam ver sobre a obra de Herbert. As imagens divulgadas até o momento indicam, inclusive, que há um cuidado profundo na realização da adaptação da narrativa. Com Timothée Chalamet, Oscar Isaac e Zendaya no elenco, esperamos que tudo isso funcione no cinema!