De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 35 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de problema de visão e cerca de 500 mil tiveram o diagnóstico de cegueira. O realidade desapontadora, apurada em 2016, poderia ser diferente se o acesso ao oftalmologista fosse maior. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), 80% dos problemas poderiam ser resolvidos com uma consulta simples ao especialista no tempo correto.

 

“Muitas doenças são silenciosas e, na ausência de uma avaliação feita por especialista em sua fase inicial, elas só são detectadas quando estão avançadas e com sequelas”, diz o médico oftalmologista Henrique Rocha (CRM 14844 GO), diretor clínico da Olha! Clínica Oftalmológica em Senador Canedo. A recomendação do CBO é que as consultas devem acontecer anualmente.

 

Na infância, por exemplo, a ambliopia, uma deficiência da visão em um ou em ambos os olhos, sem que eles apresentem anomalias estruturais, pode ser revertida até a idade de 10 anos, desde que seja tratada.  Também conhecida como ‘olho preguiçoso’, ocorre durante o período de maturação do sistema nervoso central, durante primeira infância. “Até essa idade, a criança desenvolve sua visão cerebral e há alternativas de correção  por meio do uso de óculos, de cirurgia ou outras profilaxias. Mas, após essa fase, ele torna-se irreversível e os baixos níveis da visão permanecem”, diz.

 

Ele explica que há problemas como erros de refração, como é a miopia e hipermetropia, são responsáveis por 20% do baixo rendimento estudantil e podem ser tratados”, informa o médico, que lembra ainda que o uso excessivo de smartphones e tablets também tem gerado um aumento importante das miopias na infância.

 

“Mas em todas as idades, podem surgir problemas na visão sem sintomas, que podem  causar até cegueira em estágio avançado. Mas, se detectados precocemente, podem ser tratados e interromper sua evolução”, explica Henrique Rocha.

 

Um exemplo de doença silenciosa é o glaucoma. “Essa é principal causa de cegueira irreversível no mundo justamente por não apresentar sintomas. A pessoa não percebe o problema enquanto ele evolui progressivamente até causar uma lesão irreversível do nervo e levar à perda total da visão”, explica ele, que é membro da Sociedade Brasileira de Catarata e Refrativa e das Sociedades Americana e Européia de Catarata e  Refrativa e da Sociedade Brasileira de Glaucoma.

 

Ele lembra ainda que, na puberdade, é frequente a manifestação do ceratocone, doença genética cujos sintomas iniciais não são evidentes e que pode causar cegueira em estágio avançado. “Geralmente, o paciente também tem quadro alérgico, que causa coceira, sendo necessário exames precisos e sofisticados para se fazer o diagnóstico”, observa.