O Museu de Arte Moderna de São Paulo promove o curso online Caminhos da Arte Indígena Contemporânea para o público participar via plataforma de videoconferência. Serão seis encontros entre os meses de outubro e novembro para abordar conceitos relativos à arte indígena contemporânea no Brasil, com análise sobre as implicações e as potências dos termos “arte”, “indígena” e “contemporânea”, inseridas no contexto de encontro entre arte indígena e o sistema da prática ocidental.

Ao longo das aulas, os participantes poderão debater as narrativas e as trajetórias de artistas indígenas, bem como suas urgências enquanto participantes indissociáveis de suas comunidades de origem e as relações que mantêm com o sistema da arte ocidental.

Para conferir base teórica e prática ao curso, o professor Jaider Esbell, do povo macuxi, artista multimídia e curador independente, e a professora Paula Berbert, antropóloga e articuladora de projetos culturais, ministram as aulas e apresentam seus percursos conjuntos no sistema da arte indígena contemporânea e suas ações a partir da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea, localizada em Boa Vista – RR.

O curso possui duração de cerca de um mês, no entanto, também é possível adquirir as aulas avulsas. A programação tem início no dia 14 de outubro, com aula aberta sobre conceitos e sistemas na arte indígena contemporânea.

Confira a programação completa:

Caminhos da Arte Indígena Contemporânea com Jaider Esbell e Paula Berbert

Quando: de 21 de outubro a 25 de novembro de 2020 | Quartas-feiras, das 19h às 20h30
Duração: 06 encontros
Investimento curso completo: R$ 468,00 em até 3 parcelas
Aulas avulsas: R$ 80,00 por aula.
Público: interessados em geral
Onde: Ao vivo via plataforma de videoconferência
Inscrições abertas no site do museu http://mam.org.br/curso/curso-online-caminhos-da-arte-indigena-contemporanea-com-jaider-esbell-e-paula-berbert/

Aula gratuita dia 14/10, às 19h, com inscrições pelo site do museu e ao vivo no YouTube

Programa

Aula 1 aberta. Arte Indígena Contemporânea: conceitos e sistemas

Este encontro será pautado pela seguinte pergunta: por que Arte Indígena Contemporânea e não Arte Contemporânea Indígena? Buscaremos refletir sobre a anterioridade e a autonomia do sistema da arte indígena, bem como os diálogos em curso com o sistema da arte ocidental e suas instituições no contexto do encontro entre mundos.

Aula 2. Artivismos e demandas políticas na Arte Indígena Contemporânea

Neste encontro será abordado a característica essencialmente artivista da Arte Indígena Contemporânea, sua relação indissociável com as lutas em defesa dos direitos indígenas e socioambientais. Buscaremos refletir ainda sobre a relação de compromisso e autonomia entre as iniciativas de artistas indígenas e os movimentos políticos indígenas. Será tratado também das diferentes formas de apropriação mobilizadas no contexto de encontros entre mundos, bem como suas implicações éticas e cosmopolíticas.

Aula 3. A cena de Roraima: ações dxs netxs de Makunaimî

O terceiro encontro visa uma reflexão sobre as camadas ocultas do fenômeno Makunaimî enquanto ent.identidade matriz de artistas indígenas de Roraima. Apresentaremos a história das articulações de artistas, com ênfase nas ações e no acervo da Galeria Jaider Esbell de Arte Indígena Contemporânea (Boa Vista – RR).

Aula 4. Caminhos de um dxs netxs de Makunaimî, Jaider Esbell

Nesse encontro apresentaremos a trajetória e o portfólio de Jaider Esbell como uma proposta de imersão no conjunto de sua obra, destacando a importância da narrativa escrita e performática em seu trabalho.

Aula 5. Alianças afetivas, txaísmo

Este encontro será guiado pela experiência de trabalho conjunto e autoria partilhada entre Jaider Esbell e Paula Berbert. Refletiremos sobre as potências e tensões na relação entre as práticas e saberes indígenas e a antropologia e como se desdobram nos contextos da arte indígena contemporânea. Abordaremos ainda as reflexões do artista sobre a ideia de txaísmo, relacionando com as formulações de Ailton Krenak sobre as alianças afetivas.

Aula 6. AIC e o sistemão

No último encontro nos guiaremos pelas seguintes questões: quais são as contribuições da Arte Indígena Contemporânea para o sistema da arte ocidental? No trânsito entre mundos faz diferença a presença do indivíduo artista ou a obra basta? Para pensar sobre isso apresentaremos trabalhos de artistas, curadoras e curadores indígenas na cena brasileira, bem como projetos em curso da AIC em algumas instituições de arte ocidental no país.

Jaider Esbell, do povo macuxi, é artista multimídia e curador independente. Sua cosmologia e história originárias compõem a poética de seu trabalho, em que a reflexão sobre as narrativas míticas e a vida na Amazônia caribenha ocupam um lugar central. Atua como escritor e ensaísta desde 2009. No ano seguinte, inicia sua produção autoral de pinturas e desenhos, que circulam por exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Articula iniciativas junto a artistas indígenas a partir de sua galeria de arte indígena contemporânea na cidade de Boa Vista, organizando atividades de arte-educação em comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e urbanas periféricas. Definindo suas proposições artísticas como artivismo, suas pesquisas combinam discussões interseccionais entre arte, ancestralidade, espiritualidade, história, memória, política e meio ambiente, em que se destacam suas recentes elaborações sobre o txaísmo – modo de tecer relações de afinidades nos circuitos interculturais das artes contemporâneas pautadas pelo protagonismo indígena.

Paula Berbert é antropóloga e articuladora de projetos culturais. É doutoranda no Programa de Pós-graduação em Antropologia da USP, onde realiza pesquisa sobre arte indígena contemporânea. Atua nos campos da curadoria e mediação intercultural, articulando iniciativas de artistas e cineastas indígenas aos sistemas ocidentais de arte e de cinema. Tem experiência em comunidades pedagógicas formais e não-formais, especialmente nos temas da arte-educação, dos direitos humanos e socioambientais, questões indígenas, feministas e decoloniais. É mestre em Antropologia (2017,UFMG) e especialista em Estudos e Práticas Curatoriais (2019, FAAP).

Sobre o MAM São Paulo

Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições abrem-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas.

O Museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de visitas mediadas em libras, audiodescrição das obras e videoguias em Libras. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi adaptado por Lina Bo Bardi e conta, além das salas de exposição, com ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e uma loja onde os visitantes encontram produtos de design, livros de arte e uma linha de objetos com a marca MAM. Os espaços do Museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.