Fotos: Hegon Corrêa
Thalia embala a filha Helena em uma enfermaria do Hospital Materno Infantil. A criança de oito dias está em contato com a pele, em posição vertical, o que lhe permite ouvir o coração da mãe. Ao lado de Thalia, Maria, a avó, embala Heloísa, gêmea de Helena, com o mesmo zelo. Esse é o método canguru, um dos cuidados aplicados no Hospital Materno Infantil (HMI) no tratamento de recém-nascidos prematuros.
Mães, bebês e famílias são acolhidos por uma equipe multidisciplinar para diminuir a taxa de mortalidade dessas crianças e possíveis sequelas. Thalia Mariano de Araújo veio da cidade de Jataí acompanhada da mãe, Maria de Araújo Paes Borges. A gravidez era de risco por ser de gêmeas, e as crianças nasceram de cesárea, com 35 semanas. Após o parto, Thalia recebeu diversas orientações sobre amamentação, nutrição e cuidados adequados às filhas, que passam bem. “Aqui me sinto segura. Já pensou se esse hospital não existisse? Eu não saberia o que fazer”, disse Thalia.
“Prematuros são crianças que ‘tiveram pressa de amor’”, diz a neonatologista Cynara Porto, médica diarista da Unidade de Cuidados Intermediários (UCIN) do HMI. Um bebê prematuro nasce antes da 37ª semana de gestação. A situação não é rara. No Brasil, a cada 10 partos, um é de prematuro, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No HMI, a média é a mesma. É por isso que o mês de novembro, além do conhecido Novembro Azul, é também o Novembro Roxo, mês de uma campanha mundial para a sensibilização para a prematuridade.
Cynara explica que a campanha tem dois focos. O primeiro é um alerta para evitar o parto prematuro com a realização de um pré-natal adequado, Teste da Mamãe (que detecta diversas doenças) e cuidados com a alimentação. O segundo foco é o da doação de leite materno para ajudar as crianças prematuras. “Esse é o alimento ideal para eles, então a mãe que produz leite em excesso pode ajudar muitos recém-nascidos com baixo peso e complicações”, diz a médica.
Prematuros
O Materno Infantil é o hospital de referência no tratamento de prematuros no Estado, realizando uma média de 380 partos desse tipo por mês. Para esses bebês, a taxa de risco varia de acordo com a semana de gestação, peso e condições de saúde da mãe. Cerca de 32% dos óbitos são evitáveis, mas ainda há o grave risco de sequelas como cegueira, surdez, hidrocefalia, deficiências cognitivas e motoras. “Por ser prematuro, ele requer um olhar especial. Por isso, é importante empoderar a família toda”, explica Cynara. Muitas vezes, a criança vai precisar de acompanhamento especial por toda a vida.
Segundo a médica, é importante que a mãe seja acolhida nesse processo. Quando o recém-nascido vai para a UTI, ela é estimulada a dar o colostro logo no primeiro dia de vida e segurar o bebê com o toque certo. Assim ele sai do quadro mais grave, passa para o Método Canguru e fica o maior tempo possível em contato com a pele da mãe. Ali, as crianças vão terminar de aprender a mamar, tomar os medicamentos necessários, amadurecer e atingir o peso ideal.
Doe leite, salve vidas
O Banco de Leite do Materno Infantil recebe doações de duas formas. A doadora pode ir pessoalmente à unidade fazer a entrega ou solicitar a coleta em casa. O leite deve vir em potes de vidro de boca larga e com tampa de plástico, congelado e em caixa térmica. Também é necessário apresentar os exames do pré-natal.
Quem tem dúvidas pode procurar o Materno Infantil para que a equipe oriente sobre o material necessário e a forma correta de congelar o alimento. As mães que estão com dificuldades para amamentar também podem procurar o Banco para orientações. A recomendação é que a mãe vá à unidade logo nas primeiras dificuldades, para que o quadro não se agrave, e o bebê não seja prejudicado.
O Banco de Leite fica na rua R-7, s/nº, no Setor Oeste, em Goiânia. As doações domiciliares podem ser agendadas pelo telefone e também whatsapp comercial: (62) 3956-2921.
Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás