Uma análise da evolução dos investidores de pessoas físicas da B3, de abril, mostrou que o investimento em rendas variáveis está cada vez mais popular entre os brasileiros. A pesquisa mostra um aumento de 400 mil investidores apenas no primeiro trimestre de 2020, apenas em março, foram 223 mil novos investidores sendo que, 30% deles aplicaram menos de R$ 500. Esse comportamento ascendente vem sendo registrado desde o início de 2019, quando a quantidade de CPFS fechou em 1,4 milhões, o dobro de 2018, quando tinham 700 mil CPFs negociando ações pela B3.

Entre os anos de 2011 a 2017 a média foi de 500 mil, e hoje chegou a marca histórica de 2,3 milhões de CPFs. Para o agente autônomo de investimentos, sócio da Vertente Capital, Marcelo Estrela, os números mostram que os brasileiros estão voltando seus olhos para esse segmento e entendendo melhor como funciona o mercado de rendas variáveis. Prova disso está também na variação do tipo de aplicação, a análise mostrou que em 2016, 78% de pessoas físicas detinham somente ações. Em 2020 esse número caiu para 54%, quando outros produtos passaram a integrar as carteiras, como os investimentos em fundos imobiliários. Além disso, 48% das pessoas físicas tem hoje 5 ou mais ativos em carteira. Em 2016 essa base representava apenas 26%.

Nem mesmo o cenário de pandemia, momento em que os valores das ações oscilaram, afastou os brasileiro. “Podemos concluir que o brasileiro está mais bem informado. Se observarmos em que tipo de ações eles estão investindo, vamos perceber que estão concentrados em empresas sólidas, com boa capacidade de recuperação depois da crise na saúde”, detalha Estrela. A baixa taxa de juros, hoje em 3% ao ano, também favorece as aplicações.

Vale lembrar que em 2008 a taxa Selic ultrapassou 14% ao ano, impactando diretamente nos rendimentos. “Atualmente, mesmo que as margens de lucros das empresas sejam menores, é factível que no médio prazo os rendimentos obtidos através de dividendos sejam superiores àqueles que seriam obtidos através de uma aplicação conservadora como o Tesouro Selic”, esclarece.

Estrela reconhece também o trabalho dos bancos especializados no sentido de facilitar o acesso das pessoas à informação de qualidade. “O BTG Pactual, por exemplo, têm feito um belíssimo trabalho nesse sentido em seus canais do Youtube e Spotify. Como eles possuem uma plataforma aberta de investimentos, eles conseguem reunir gestores de recursos independentes, economistas de respaldo internacional e figuras públicas, e isso contribui com a população que está interessada, mas não tem a expertise”.

Tratando-se de Goiás, o comportamento também segue a tendência ascendente apresentada no quadro nacional. Em abril, a B3 registrou mais de 55 mil investidores individuais goianos, ocupando o 9º lugar do Brasil no ranking do mês. Em 2019, no mesmo período, a quantidade pessoas físicas goianas no mercado era de 36 mil,

Para Estrela o potencial brasileiro de investimento ainda pode ser muito mais explorado, considerando que existe muita dificuldade por parte das pessoas em entender o funcionamento do mercado de ações. “Dada a dificuldade em utilizar home broker (sistema de pregão eletrônico), casas como o BTG Pactual trabalham para apresentar soluções que minimizem esse problema. O objetivo dessas soluções, é facilitar o lançamento de ordens de compra na bolsa de forma automatizada. O usuário poderá apenas determinar valor que se pretende comprar, dentro das opções oferecidas pela corretora”.