O pedreiro Leandro Gonçalves de Oliveira é um dos cerca de 80 operários da Elmo Engenharia que estão trabalhando duro para que o Hospital e Maternidade Célia Câmara, localizado na região oeste de Goiânia, esteja concluído até o dia 31 de março. A obra, resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Goiânia e o Ministério da Saúde, estava prevista para ser entregue no final de abril e terá sua inauguração antecipada para atender possíveis casos da Covid-19.

“Mesmo tendo que fazer hora-extra para deixar tudo pronto, acho muito importante participar desse trabalho, pois é algo importante para a cidade, principalmente nessa situação tão complicada de coronavírus. A gente sabe que vai ser algo que vai salvar vidas, então isso serve até de motivação”, relata o operário que há um ano está trabalhando na obra do hospital.

O seu colega de canteiro, o almoxarife Edilson Mayke Gomes dos Santos, também se diz orgulhoso em contribuir para uma iniciativa que irá ajudar muitas pessoas. “Sinto que estou ajudando em algo muito importante, tanto para a população de Goiás, como para nossa família. Do meu jeito acho que estou ajudando a salvar vidas”, diz o trabalhador que percebem que a grande maioria dos colegas também estão imbuídos desse sentimento de cidadania.

Esforços
Com investimentos da ordem de R$ 100 milhões, a construção e montagem do Hospital e Maternidade Célia Câmara é executada pela Elmo Engenharia, que direcionou todos os esforços para a conclusão da obra até 31 de março, um mês antes do previsto. Todas as demais obras da construtora foram paralisadas como medida de saúde pública.

De forma intercalada, os trabalhos na obra estão sendo feitos até 21 horas desde quinta-feira, 19 de março. O contingente de homens subiu de 30 para mais de 80, contingente que veio das outras obras da Elmo para ajudar na conclusão do hospital. Como medidas preventivas, eles estão trabalhando de máscara, álcool em gel está sendo disponibilizado e eles estão sendo orientados a manter distância mínima de um metro.  As refeições no canteiro de obras estão sendo servidas em marmitas, ao invés de self-service, que normalmente geram filas. Talheres e copos são individuais.

“Traçamos um planejamento de emergência com nossa equipe de engenharia, conversamos com os trabalhadores e explicamos a finalidade da obra. Percebemos que todos abraçaram a causa porque entenderam que esta é uma missão de vida, cada dia em que conseguirmos antecipar a entrega poderá fazer uma diferença na vida de muitas pessoas”, Guilherme Pinheiro, diretor da  Elmo Engenharia.

Cursando o último período de engenharia civil, o estagiário Robert Luiz Passos, foi um dos integrantes da equipe que decidiu abraçar a causa.  “Eu estava em outra obra, poderia ficar em casa, mas eu escolhi vir porque mais do que levantar uma obra, a gente estará contribuindo com o tratamento das pessoas que mais irão precisar neste momento”, considera.

Excepcionalidade
Concebido para atendimento humanizado e referência no atendimento integral à saúde da mulher e na assistência ao recém-nascido, os 184 leitos serão usados, excepcionalmente, para atender os casos de coronavírus.

Com área de construção de mais de 15.400 m², o hospital terá um total de 184 leitos, sendo 80 leitos de internação adulta, 31 leitos de internação pediátrica, 31 leitos de neonatologia e 42 leitos de emergência e intercorrência pediátrica, a unidade de saúde também disporá de serviços próprios de radiodiagnóstico 24 horas, ultrassonografia com ecografia e doppler, laboratório de análises clínicas e eletrocardiograma, além de vários centros cirúrgicos. A gestão do hospital ficará sob responsabilidade da FUNDAHC, instituição ligada à UFG, que administra o Hospital das Clínicas e o Hospital e Maternidade Dona Iris, todos em Goiânia.

Abril de 2020 era o prazo final de entrega da obra, que iniciou em 2016 e teve uma série de interrupções em razão de mudanças de governo, falta de recursos do poder público, entre outros problemas emergenciais, como os ocasionados pelas fortes chuvas desse ano.