O medo provocado pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tem levado pacientes a questionarem a necessidade de seguirem com o acompanhamento oncológico. “Pacientes com câncer não devem interromper o tratamento oncológico, tão necessário para o controle e cura da doença. O paciente deve permanecer em quimioterapia, hormonioterapia, uso de terapia-alvo”, alerta o médico oncologista clínico Gabriel Felipe Santiago. “No entanto, apenas os pacientes com diagnóstico de Covid-19 ou que apresentarem alguma infecção ativa devem interromper o tratamento com quimioterapia ou terapias imunossupressoras, desde que orientado por seu médico”, adverte.

De acordo com o especialista, a taxa de mortalidade em pacientes oncológicos que apresentam infecção pelo novo coronavírus vai girar em torno de 7,7%, ou seja, maior que na população em geral. “E o paciente oncológico que apresentar a infecção, que traz sintomas comuns como febre, tosse – na maioria das vezes seca, podendo ser produtiva numa menor porcentagem dos casos – falta de ar, dor articular, fadiga, tende a ter maiores complicações e grande possibilidade de desenvolver complicações mais graves da doença”, alerta.

Por isso, medidas gerais como a higienização das mãos, uso do álcool em gel, evitar aglomerações e o contato físico são tão importantes. “O uso da máscara deve ser constante pelo paciente que encontra-se em quimioterapia ou terapia imunossupressora, tanto no ambiente hospitalar quanto na clínica. Também é bom evitar ambientes fechados e ficar o mínimo de tempo possível nesses ambientes”, indica.

Gabriel recomenda que o paciente seja amparado por apenas um acompanhante, que não deve apresentar sintomas gripais, evitando ao máximo visitas hospitalares. Ainda de acordo com o médico, as consulta de seguimento ou eletivas – aquelas agendadas com o médico de preferência, com antecedência – onde o paciente irá mostrar os exames para avaliação de detecção de doenças, se possível, devem ser adiadas, ao contrário dos pacientes que já se encontram em tratamento.

No caso dos pacientes idosos com câncer, os cuidados merecem ainda mais atenção e devem ser também redobrados, principalmente em razão das doenças associadas ou pré-existentes que geralmente acompanham pacientes com essa faixa etária. “Nestes casos, devem também continuar o tratamento, considerando todos os cuidados”, ressalta o oncologista.