Paulo Gustavo, ator e humorista, faleceu na noite desta terça-feira (4), após uma longa luta contra a Covid-19. Nas redes sociais, uma série de famosos lamentaram a morte do artista, que era muito querido no meio artístico.

Ator deixa os filhos gêmeos Romeu e Gael, de 1 ano de idade, o marido Thales Bretas, o pai, irmãos e a mãe Déa Lúcia, inspiração para Dona Hermínia, seu personagem mais famoso.

Na morte de Paulo Gustavo, a violência foi ressignificada. Não se trata de uma vida ceifada num acidente, mas de uma morte provocada pelos efeitos de uma infecção viral que já tirou a vida de mais de 410,000 brasileiros. A violência, então, é sentida no acúmulo das mortes e, principalmente, pelas circunstâncias nas quais essas elas têm ocorrido.

Paulo Gustavo morreu no dia em que começou a CPI que investiga a responsabilidade do governo Bolsonaro na resposta à pandemia. E poucos dias após marchas bolsonaristas demandarem a abertura do comércio, entre as mesmas palavras de ordem autoritárias a que fomos habituados desde as marchas de 2015 e 2016 contra Dilma Rousseff.

A morte de Paulo Gustavo provoca uma forma diferente de luto coletivo. Não se trata apenas do “herói nacional” ou de um “ídolo popular”, mas alguém cuja existência reúne elementos políticos fundamentais.

Paulo Gustavo foi vítima não apenas de um vírus, mas de uma morbidez nacional. O país tornou-se um cemitério onde 3 a cada 4 brasileiros contam com a morte de uma pessoa próxima em decorrência do coronavírus. Paulo Gustavo adoeceu quando vacinas já estavam disponíveis no mercado, mas não acessíveis à população por conta daquilo que a CPI aponta como ação deliberada do governo Bolsonaro.

Apesar dos cuidados que tomou, Paulo Gustavo se infectou num país onde o presidente é um negacionista militante. A morte de Paulo Gustavo, portanto, não é uma mera fatalidade, mas um acontecimento político.

Nesses estranhos tempos pandêmicos, as demonstrações de luto pela morte de Paulo Gustavo habitarão não a praça pública, mas o ágora eletrônico das mídias sociais.

Ali haverá dor, luto e, também, haters. Paulo Gustavo passa a ser símbolo coletivo não apenas como “ídolo que morre antes do tempo”, mas como mártir da Covid-19.