A roupa pode até disfarçar os “pneuzinhos” na cintura, mas, se a balança marcar uns quilinhos além do seu peso ideal, é bom ligar o sinal de alerta. O sobrepeso não é doença, mas pode evoluir para a obesidade, uma doença crônica, que, se não tratada, é capaz de levar o indivíduo à morte. Pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada no ano passado pelo Ministério Saúde, mostra que 54% dos brasileiros estão com sobrepeso.

O levantamento concluiu que em uma década (entre 2007 e 2017), a proporção de pessoas que estão acima do peso ideal cresceu 26,8%. A pesquisa também mostra que a obesidade é realidade para 18,6% da população do País. Quando se restringe o levantamento aos adultos mais jovens (entre 18 e 34 anos), os dados são ainda mais alarmantes: os quadros de obesidade nesta faixa etária aumentaram 110%, em 10 anos.

Pessoas com sobrepeso têm maior propensão a se tornarem obesas, uma condição que, conforme observa o médico gastroenterologista Joffre Rezende Neto (CRM 15275 e RQE 10060), membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e secretário geral da Sociedade Goiana de Gastroenterologia.

Segundo Joffre, grande parte das causas dessa epidemia global da obesidade, que normalmente começa com o sobrepeso, está ligada a maus hábitos surgidos com o avanço das tecnologias, que, se por um lado trouxe reconhecidas e necessárias facilidades para o dia a dia, por outro, fez com que as pessoas abandonassem um estilo de vida mais saudável e ativo.

“Fomos deixando de fazer até os mínimos estímulos físicos, como levantar do sofá e ir até à televisão e mudar de canal. Isso mostra que um outro fator de atenção, o sedentarismo, também está associado ao avanço do sobrepeso no Brasil e no mundo”, esclarece o especialista.

O médico explica que para saber se a pessoa está ou não com sobrepeso ela precisa conhecer o seu Índice de Massa Corporal (IMC), que é fácil de calcular: é só dividir o peso atual pela altura(²). Em geral, para os adultos, se o valor obtido ficar entre 25 e 30, é sinal que se está com peso fora do ideal ou do que é considerado saudável, ou seja, sobrepeso. Acima de 30, o quadro já é obesidade.

Tratamentos

O gastroenterologista Joffre Rezende Neto lembra que é muito mais fácil tratar o sobrepeso do que a obesidade, daí a importância de se manter sempre vigilante. O caminho deve ter como pilares a reeducação alimentar e a prática de exercícios físicos, porém, para quem não está sendo bem sucedido na tentativa de perder peso apenas com a mudança no estilo de vida, existem novas alternativas para eliminar o sobrepeso: os tratamentos endoscópicos.

Um deles é a colocação de balão intragástrico no estômago, em que há a diminuição da capacidade do órgão, levando o indivíduo a ingerir uma menor quantidade de alimentos. Outra técnica é a realização da gastroplastia endoscópica, recém-chegada ao Brasil, que consiste na sutura de parte das paredes do estômago para reduzir o volume do órgão, dando à pessoa a sensação de saciedade. Os procedimentos são feitos por endoscopia digestiva, sem necessidade de cirurgia, nem internação.

Dr. Joffre Neto explica que os tratamentos endoscópicos promovem a redução de 20 a 25% do peso corporal, mas ressalta que seu papel é dar um impulso na perda de peso, e não em sua manutenção. “Nenhum método tem efeito perpétuo. A manutenção do peso depende do estilo de vida do paciente, que é adotar uma boa alimentação e prática de exercícios de forma contínua”, orienta.

Joffre Neto destaca ainda que os procedimentos endoscópicos são indicados para quem está com sobrepeso e obesidades iniciais (grau I e II), e não com obesidade avançada (IMC acima de 40) – quando a necessidade de perda de peso é muito maior. “Cada método tem a sua indicação. Para obesidade avançada, normalmente, os tratamentos endoscópicos são indicados quando há necessidade de se perder um pouco de peso antes de se fazer a cirurgia bariátrica”, observa.

Vale ressaltar: a obesidade tem sido alvo de intensas campanhas por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo considerada pela entidade uma epidemia de proporção global. Esteatose hepática, diabetes e hipertensão são alguns dos males associados à obesidade.

Calcule o seu Índice de Massa Corporal (IMC) e confira se está acima do peso

É só dividir seu peso atual pela altura(²)

  •        IMC de 25 a 30 – sobrepeso
  •        IMC maior que 30 a 40 – obesidade grau 1
  •        IMC maior que 35 a 40 – obesidade grau 2
  •        IMC maior que 40 – obesidade avançada
Médico gastroenterologista Joffre Rezende Neto Divulgação