No passado, as pessoas diziam “laaaá no Serrinha” quando queriam se referir a algum lugar do bairro, que era um ponto distante da parte central da cidade. Mas hoje, com o crescimento  urbano, o “lá” virou “cá” e a região tem se tornado a bola da vez na capital. O Setor Serrinha se encontra estrategicamente entre os setores Bela Vista, Parque Amazônia e Bueno e se destaca pelo seu território predominantemente plano, mas com o Morro da Serrinha se sobressaindo na paisagem com cerca de 890 metros de altitude e mais de 107 mil metros quadrados de área verde.

Na região, de acordo com o Mapa Urbano Básico Digital de Goiânia (MUBDG) de 2012, moram mais de 1,2 mil habitantes em uma área de 322 mil metros quadrados. Segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, o bairro teve crescimento de 8% em uma década. De 2000 a 2010, Goiânia teve um crescimento pouco superior a 19%.

O bairro tem sido destino de novos empreendimentos comerciais e imobiliários diante do adensamento populacional de seu principal vizinho, o Setor Bueno. Ainda de acordo com o censo do IBGE, esse setor já era o sexto mais populoso da capital em 1991, com mais de 25 mil habitantes. Em 2010, já ocupava a segunda posição, com mais de 39 mil habitantes.

Nos últimos anos, novos empreendimentos comerciais, como do ramo de alimentação (bares, restaurantes e conceituadas cafeterias), têm identificado esse potencial de crescimento na região e resolveram investir no setor. Um dos mais recentes é o Buteco do Zé Abílio. Fundado em 2009, no Setor Bela Vista, uma nova unidade foi aberta em 2020 no Setor Serrinha. Segundo o proprietário José Abílio Ferreira, sempre houve a vontade de abrir um novo estabelecimento no setor. “A ideia era buscar um espaço mais tranquilo e esse espaço era um dos últimos disponíveis na extensão do Alto do Bueno. A rotatividade e quantidade de pessoas que vivem e frequentam a região foi um dos pontos fundamentais para abrir esse empreendimento”, destaca Zé Abílio. Além deste tradicional bar, a região recebeu recentemente também o Garibaldi, que está atraindo a atenção do goiano.

O local se junta a outros tradicionais empreendimentos do ramo alimentício na região, como a Komiketo Sanduicheria, que está há mais de 12 anos localizada na região. Segundo o diretor da empresa, Jefferson Porto, a rede começou no setor Cidade Jardim, em 1986, mas se espalhou pela cidade rapidamente.

“A nossa estratégia sempre foi buscar lugares com bons clientes e ter mais visibilidade. Não foi diferente com o setor Serrinha, já que é uma região bem familiar, tradicional e conhecida”, destaca o diretor, que também comemora a chegada de novos empreendimentos imobiliários na região. “É um bairro que ainda está crescendo e deve atrair mais famílias, proporcionando boas expectativas para os comerciantes da região”, completa.

Segundo Danillo Ramos, presidente da regional Goiás da Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel) o maior interesse dos empreendimentos do ramo pelo bairro é um efeito natural da ocupação imobiliária, que promove o aumento do fluxo de pessoal; aumentando, consequentemente, a busca por serviços diversos incluindo os de alimentação e lazer. Ramos acredita que a vocação do bairro Serrinha também estimula esse crescimento e modernização. “É um setor com uma vocação econômica forte, tanto na área comercial, quanto residencial. E, com a verticalização acontecendo de maneira mais intensa, cria-se um ciclo de maior atratividade ao aumentar o número de passantes”, avalia o presidente da Abrasel.

Crescimento imobiliário

O crescimento da região também tem atraído a atenção do setor imobiliário. Recentemente, a Tapajós Engenharia e a Town Incorporadora lançaram o Blume Apartments na região. Para a arquiteta da Tapajós, Dihana Kanda, o fato de o bairro já contar com uma boa infraestrutura comercial e de serviços também são condições potenciais para que o bairro cresça ainda mais. “O Setor Serrinha sempre chamou a atenção dos investimentos imobiliários por conta dessa proximidade com o Setor Bueno e apresentar uma boa via de acesso e infraestrutura completa com shoppings, farmácias, escolas, supermercados e parques”, destaca Kanda ao se referir aos parques Areião, Jardim Botânico e Vaca Brava. Ainda há a expectativa do avanço do processo de recuperação e urbanização do Parque no Morro da Serrinha, de cerca de 100 mil metros quadrados, localizado no setor homônimo.

“O Serrinha é uma região menos adensada em comparação com os bairros vizinhos e isso proporciona um arejamento maior e mais qualidade de vida para quem mora na região. Sem falar que é um bairro que tem um valor de metro quadrado mais acessível que o Setor Bueno, que é reconhecidamente um dos bairros com o valor do metro quadrado mais caro da capital. Com isso, os moradores do Serrinha têm acesso a imóveis mais baratos e, ao mesmo tempo, desfrutam de infraestrutura oferecida pelo Bueno”, completa a arquiteta.

De acordo com pesquisa da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), realizada pela Brain Inteligência Estratégica, o Setor Serrinha, juntamente com os setores Aeroporto e Pedro Ludovico, passaram a ser os bairros com mais lançamentos em Goiânia. Segundo dados da associação, o Setor Serrinha foi o quarto bairro com o maior número de lançamentos de unidades residenciais (168), em Goiânia, no terceiro trimestre de 2019. Um dos mais novos empreendimentos que será construído na região é o Blume Apartments com 33 pavimentos com metragens que variam de 112 m² com três suítes e varanda com churrasqueira a carvão; 89 m² com três suítes; 75 m² com duas suítes ou três quartos com uma suíte, ou seja, planta flexível.

Mais sobre o Serrinha

Além das instituições privadas, o bairro também é abastecido por um conjunto de serviços públicos, como a Escola Municipal Professor Trajano de Sá Guimarães e o 8º Batalhão Bombeiro Militar, localizados na divisa entre os bairros Parque Amazônia e Setor Serrinha.

O Setor Serrinha também conta com uma ampla rede de academias, salões de beleza, hipermercados clínicas veterinárias, laboratórios, consultórios e lojas automotivas. Uma delas é a escola de idiomas Skill, que chegou ao bairro ainda em 1994. “Naquele ano, já existiam algumas unidades da escola espalhadas por Goiânia, mas o Setor Serrinha também apresentava um bom crescimento populacional e, por isso, foi aberta uma unidade aqui”, destaca o administrador Paulo Chaves.