O Sesc São Paulo promove desde maio a série Teatro #EmCasaComSesc, com a transmissão de diferentes trabalhos cênicos, direto da casa dos artistas, sempre às segundas, quartas, sextas e domingos, às 21h30. E na semana em que a programação completa três meses no ar, o público confere os espetáculos A Cobradora, com Maria Alencar, Um Porto para Elizabeth Bishop, com Regina Braga, a leitura de (A Montanha vai a) Sísifo, com Gregório Duvivier e Poema em Queda-Live – Episódio 1, com a Cia. Mungunzá.

Mas antes, uma frasqueira encontrada no lixo contendo vestígios de vida de uma mulher de 90 anos é o enredo do monólogo desta sexta-feira, 7/8, com Quitéria Kelly e participação de Henrique Fontes. A Frasqueira de Jacy é um novo recorte de uma história real que resultou na peça de teatro documental Jacy, que estreou há sete anos fruto de uma investigação do Grupo Carmin, de Natal (RN), na qual Quitéria e Henrique fazem parte. O encontro da frasqueira pela companhia teatral completa uma década em 2020, ano em que Jacy faria 100 anos. A versão que será apresentada no #EmCasaComSesc é uma transcrição da peça original para o formato online, sob direção de Henrique Fontes, que também assina a dramaturgia com Pablo Capistrano, e terá interação de documentos gravados. O espetáculo é livre para todas as idades.

No domingo, 9/8, o ator Eduardo Moscovis dá continuidade ao encontro artístico com a encenadora Christiane Jatahy, que é uma das grandes diretoras do teatro brasileiro e assina a dramaturgia e a direção desta adaptação de O Livro. Será a live de número 50 da série. O texto de Newton Moreno conta a história de um homem que recebe um livro do pai, mas o presente é o anúncio de que ele ficará cego em breve, talvez em algumas horas, em alguns minutos…ali. Nesta versão para o #EmCasaComSesc, a peça propõe novos diálogos, com o texto original e com quem assiste, caminhando na fronteira da realidade e da ficção. Um monólogo para refletir sobre o momento em que vivemos, os cortes abruptos e as transformações inevitáveis.

Abrindo a semana, na segunda-feira, 10/8, a atriz Maria Alencar interpreta Dolores em A Cobradora, uma adaptação do monólogo teatral multimídia com as histórias de muitas mulheres: contemporâneas, míticas e inimagináveis. Em cena, Dolores é uma trabalhadora das catracas mas também a insubmissa, aquela que cobra seu direito pela dignidade, igualdade e justiça. A peça, com dramaturgia de Cláudia Barral e direção de Anderson Maurício é o primeiro trabalho para o palco da Trupe Sinhá Zózima, acostumada a trabalhar em ambientes externos e espaços da cidade. Seu texto, surgido a partir de relatos de histórias orais e biografias colhidas nos ônibus da cidade, é permeado pela violência, amor, solidão e sonhos, evidenciando mulheres únicas e ao mesmo tempo, universais, evocando muitas perguntas: quais os lugares em que estamos, que somos, que construímos e que acreditamos ser nossos? Por que nos determinamos um limite, um espaço, um rótulo? O monólogo é indicado para maiores de 16 anos.

Na quarta-feira, 12/8, Regina Braga parte da sua experiência na peça Um Porto para Elizabeth Bishop, para contar sobre o período em que a poeta norte-americana viveu no Brasil. Regina interpreta a aventura de uma mulher frágil e solitária diante de um país estranho e de seus demônios internos. As cenas servem de ilustração para o relato da atriz sobre a personagem e sobre seu trabalho na peça, escrita especialmente para ela por Marta Góes. A direção de arte de Paulo Camacho ajuda a sublinhar as diferentes atmosferas do relato e do drama. Um Porto para Elizabeth Bishop estreou em 2001, no Festival Internacional de Teatro de Curitiba, com Regina Braga, direção de José Possi Neto e cenário de Jean-Pierre Tortil. Elizabeth Bishop é autora homenageada desta edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), adiada devido à pandemia. O ciclo de palestras em torno da autora homenageada, no entanto, acontece on-line a partir de 10 de agosto, em parceria entre o Sesc e a Flip.

O mito grego de Sísifo é a inspiração do ator, apresentador e humorista Gregório Duvivier, no monólogo de sexta-feira, 14/8. Em tempos de isolamento, mesmo os personagens míticos são obrigados a cumprir seu expediente em regime de home office. (A Montanha vai a) Sísifo é um remix atualizado do espetáculo escrito por Gregório Duvivier e Vinicius Calderoni, interpretado pelo primeiro e dirigido pelo segundo. Uma ressignificação contemporânea do mito – na mitologia grega, o personagem é condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, toda vez que está quase alcançando o topo, a pedra rola novamente montanha abaixo até o ponto de partida, por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. O texto, que conecta a mitologia ao caótico mundo hiperconectado e ao Brasil dos memes, é indicado para maiores de 16 anos .

No domingo, 16/8, a Cia. Mungunzá apresenta o primeiro episódio de seu Poema Em Queda-Live, uma narrativa digital inspirada no argumento do espetáculo Poema Suspenso para uma Cidade em Queda. A fábula contemporânea sobre a sensação de suspensão e paralisia geral do mundo moderno foi originalmente levada ao palco pela companhia em 2015 e é agora recriada em ambiente virtual. Intitulado “A Roteirista da sua vida e o Homem que morava dentro do sofá”, o primeiro episódio será apresentado no #EmCasaComSesc, com transmissão no YouTube do Sesc São Paulo e na página do Sesc Ao Vivo no Instagram, com apresentações também nos dias 18 e 20 de agosto no canal do Sesc Bom Retiro no YouTube. O segundo e terceiro episódios serão apresentados a partir de setembro pelas redes sociais da própria companhia.

Com direção de Luiz Fernando Marques, do Grupo XIX de Teatro, e dramaturgia de Verônica Gentilin, que integra o elenco criador ao lado de Leonardo Akio, Lucas Bêda, Marcos Felipe, Pedro Augusto, Sandra Modesto e Virginia Iglesias, Poema Em Queda-Live sintetiza a perspectiva de seis personagens fabulares sobre a queda de um corpo e mescla à perspectiva subjetiva dos atores sobre o momento de suspensão atual. O videoartista Flavio Barollo se une ao elenco e direção utilizando diversas tecnologias existentes, como softwares de live streaming, vídeo mapping, manipulação ao vivo de imagens, para combinar a essência do teatro a diversas formas de artes digitais.

Agenda 7 a 16 de agosto, 21h30

7/8, sexta: Quitéria Kelly, do Grupo Carmin, em A Frasqueira de Jacy

9/8, domingo: Eduardo Moscovis em O Livro

10/8, segunda: Maria Alencar em A Cobradora

12/8, quarta: Regina Braga em Um Porto para Elizabeth Bishop

14/8, sexta: Gregório Duvivier, em (A Montanha vai a) Sísifo

16/8, domingo: Cia Mungunzá, em Poema em Queda-Live – Episódio 1

Até aqui, o Teatro #EmCasaComSesc apresentou 48 espetáculos a uma audiência de mais de 225 mil visualizações. Já passaram pela série os artistas Celso Frateschi, interpretando, de sua autoria, Diana, Georgette Fadel em Terror e Miséria no Terceiro Milênio, de Bertolt Brecht, Sérgio Mamberti em Plínio Marcos, Um Homem do Caminho, Ester Laccava com Ossada, Jé Oliveira em Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens, de sua autoria, Gustavo Gasparani em Ricardo III, de Shakespeare, Lavínia Pannunzio com Elizabeth Costello, Grace Passô, interpretando Frequência 20.20, Denise Weinberg em O Testamento de Maria, Ailton Graça com Solidão, Cacá Carvalho em O Carrinho de Mão in A Poltrona Escura, Bete Coelho interpretando Mãe Coragem, Gero Camilo em A Casa Amarela, Eduardo Mossri com Cartas Libanesas e Cláudia Missura em Paixões da Alma, Matheus Nachtergaele com seu Desconscerto, o ator pernambucano Dinho Lima Flor com o espetáculo Ledores no Breu, Jhonny Salaberg em Buraquinhos ou o vento é inimigo do Picumã, Cassio Scapin com Eu Não Dava Praquilo, Clara Carvalho em A Mais Forte, Rodrigo França na leitura de Contos Negreiros do Brasil, Mariana Lima com a peça SIM – Cérebro|Coração em conferência para a terra, Amanda Lyra em Quarto 19, Denise Fraga com Galileu e Eu – A Arte da Dúvida, Yara de Novaes com o monólogo Justa, Leonardo Netto em 3 Maneiras de Tocar no Assunto – O Homem com a Pedra na Mão, Lucelia Sergio em Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas, Débora Falabella com O Amor e Outros Estranhos Rumores e Debora Lamm encenando Mata Teu Pai, Ondina Clais apresentou Katierina Ivânovna, Antônio e Rocco Pitanga em Embarque Imediato, Teuda Bara em Queria Teatro, Pascoal da Conceição em Os Malefícios do Tabaco, Renato Borghi com Meu Ser Ator, Irene Ravache em Alma Despejada, Felipe Oládélè na performance Fragmentos, Ana Cristina Colla trouxe o solo SerEstando Mulheres, Darson Ribeiro encenou O Homem que queria ser livro, Rodrigo Bolzan apresentou projeto b, Thiago Lacerda encenou Quem Está Aí? e Christiane Tricerri mostrou Frida Kahlo – Viva la Vida, Caco Ciocler encenou Medusa, Fabiana Gugli apresentou Terra em Trânsito, Eduardo Moscovis trouxe O Livro, Soraya Ravenle encenou Instabilidade Perpétua, Kenan Bernardes fez Medea Mina Jeje e Isabella Lemos apresentou Viva Cacilda! Felicidade Guerreira!.

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