Um novo procedimento de redução do estômago sem cortes, chamado gastroplastia endoscópica, está ajudando pessoas com obesidade e que têm indicação para cirurgia bariátrica, mas evitam a operação, quer seja por motivos pessoais, quer porque exista alguma complicação para a cirurgia. Diferente do método bariátrico tradicional, em que parte do estômago é retirada, o novo tratamento é bem menos invasivo, possibilitando uma rápida recuperação. Nessa técnica, os médicos fazem a sutura das paredes do estômago, através da boca, totalmente por endoscopia, diminuindo o espaço de armazenamento de alimento.

Em Goiânia, por exemplo, vários pacientes se submeteram à gastroplastia – que é feita por via endoscópica – e tiveram alta médica no mesmo dia. O procedimento, que chegou ao Brasil há pouco mais de um ano, viabiliza a perda de cerca de 25% do peso corporal no prazo médio de doze meses. O médico gastroenterologista Joffre Rezende Neto (CRM 15275 e RQE 10060) explica que a gastroplastia endoscópica permite reduzir a capacidade do estômago em até 60%. “Após essa redução, o paciente passa a se sentir saciado com uma menor quantidade de alimento, ocasionando, assim, a perda de peso”, diz o especialista.

Além de pacientes com indicação para bariátrica, a gastroplastia também pode ser indicada para pessoas com obesidade em estágio inicial, ou seja, que tenham Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 35 – na faixa de obesidade grau 1. Quem possui IMC maior que 35 e até 40, ou seja, obesidade grau 2, também pode se submeter ao procedimento. A gastroplastia endoscópica é uma alternativa também para pacientes que têm contra-indicação para realização da cirurgia bariátrica tradicional.

Joffre Rezende Neto acrescenta que após o procedimento, o paciente usa medicação para ajudar na cicatrização e diminuir a acidez do estômago. São os medicamentos conhecidos como inibidores de bombas de prótons, geralmente utilizados por três meses.

Quem já fez cirurgia bariátrica tradicional, mas não perdeu peso suficiente ou até voltou a engordar, também pode fazer o procedimento. Segundo Joffre, nesses casos os pacientes são submetidos à gastroplastia redutora secundária, “que apresenta resultados satisfatórios para perda de peso”.

Recém-chegada ao Brasil, a gastroplastia endoscópica ainda não consta no rol de procedimentos médicos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por planos de saúde privados. De acordo com Joffre Neto, a técnica foi desenvolvida por pesquisadores de vários países, inclusive do Brasil, representado pelo endoscopista Manoel Galvão Neto, um dos maiores nomes no País na área de endoscopia bariátrica. Os primeiros testes da gastroplastia no país ocorreram em 2017 e, de lá para cá, mais de 8 mil pessoas de diversas nações foram submetidas ao procedimento endoscópico.

Sobrepeso

No cálculo do IMC, quando o resultado do peso atual dividido pela altura(²) der entre 25 e 30, isso indica que a pessoa está com sobrepeso. Nessa situação, o indivíduo está mais propenso a desenvolver obesidade. De acordo com o médico Joffre Neto, o tratamento do sobrepeso tem como primeira opção a reeducação alimentar e a prática de exercícios físicos. Quando a tentativa de perda de peso não prospera apenas com a mudança no estilo de vida, tratamentos endoscópicos passam a ser indicados para auxiliar o paciente nesse propósito.

“Vale lembrar que o sobrepeso não é uma doença, mas é uma condição que pode evoluir para a obesidade, um mal crônico, que, se não tratado, é capaz de levar o indivíduo à morte”, pontua o médico gastroenterologista. Pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em 2018 pelo Ministério Saúde, mostra que 54% dos brasileiros estão com sobrepeso.

Um desses tratamentos endoscópicos que podem ser usados é a colocação de balão intragástrico no estômago, em que há a diminuição temporária da capacidade do órgão, levando o indivíduo a ingerir uma menor quantidade de alimentos e perder, consequentemente, em torno de 20% de seu peso corporal. “Seja qual for o método endoscópico, para seu efeito se manter ele deve ser acompanhado de uma boa alimentação e prática contínua de exercícios físicos em um estilo de vida mais saudável”, alerta Joffre. Para saber se você está numa condição de sobrepeso ou obesidade, a dica do gastroenterologista é o monitoramento do IMC, que pode ser calculado dividindo-se o pela altura (²).

Monitore seu peso

Confira se não está com sobrepeso ou obesidade.

 

  •     IMC de 25 a 30 – sobrepeso
  •     IMC maior que 30 a 40 – obesidade grau 1
  •     IMC maior que 35 a 40 – obesidade grau 2
  • IMC maior que 40 – obesidade avançada